A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 01/08/2020
No musical clássico “Billy Elliot” o protagonista homônimo de 11 anos confronta sua família ao decidir desenvolver sua paixão pela dança apesar do conflito com as convenções de gênero impostas a ele. De maneira análoga, jovens mulheres lutam contra a desvalorização multifacetada do esporte ao explorarem sua aptidão para o atletismo. Nesse sentido, convém analisarmos tanto a cultura patriarcal que prega uma falsa incompatibilidade entre a feminilidade e modalidades esportivas, quanto a oferta estruturalmente inferior de oportunidades para mulheres no esporte.
Primeiramente, de acordo com a celebrada escritora nigeriana Chimamanda Ngozi as pessoas tem poder sobre a cultura, se essa cultura não contempla a presença de mulheres é um sinal de que ela precisa ser mudada. Sob esse viés, expõe-se a problemática machista que desencoraja o interesse de garotas no mundo esportivo com a justificativa de que isso não combina com a expressão de suas feminilidades. Assim, fica clara a necessidade de oferecer um espaço de desenvolvimento físico livre das expectativas de gênero que minam, de forma deplorável, possíveis talentos do esporte brasileiro.
Outrossim, a desvalorização também é observada no desequilíbrio de oportunidades do atletismo profissional, na presença desigual de mulheres atletas nas publicidades e até mesmo na desigualdade salarial entre competidores com carreiras igualmente promissoras. A título de exemplo, a Copa Mundial de Futebol Feminino marcada por protestos da artilheira Marta Silva em prol da igualdade salarial entre homens e mulheres. Dessa forma, é inaceitável que um país onde a igualdade é institucionalizada não coloque esse conceito em prática.
Faz-se necessário, portanto, que o Ministério do Esporte desenvolva um programa nacional de incentivo à prática esportiva feminina, por meio da formação de equipes escolares em modalidades esportivas populares como o vôlei e o futebol, com competições interescolares anuais. Espera-se, com isso, não apenas ampliar as oportunidades para mulheres e o interesse em sua participação, como também ir de encontro ao pensamento de Chimamanda no que tange à modificação de uma cultura machista.