A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 31/07/2020

No filme “Menina de Ouro”, de Clint Eastwood, é retratada a história de uma garota com talento para o boxe, cujo o sonho de se tornar uma lutadora é dificultado apenas pelo fato de ela ser mulher. Nesse sentido, fora da ficção, é notório que tal prerrogativa está intimamente ligada ao contexto atual brasileiro, no qual a valorização do esporte feminino, apesar de seu incipiente desenvolvimento, tem enfrentado grandes obstáculos. Diante disso, é válido destacar que entre os fatores que condicionam essa realidade, encontram-se a falta de políticas públicas e incentivos nesse setor, bem como a desigualdade de gênero enraizada na sociedade desde as primeiras civilizações.

Em primeiro plano, é válido salientar que, segundo o filósofo Tomas Hobbes, em sua obra “O Leviatã”, o Estado é a instituição responsável por garantir a fluidez e a harmonia entre a coletividade. No entanto, no cenário hodierno, nota-se que tal assertiva não é colocada em prática, o que vai contra a um dos preceitos estipulados pela Carta Magna, afinal, a Constituição Federal, em seu artigo 217, assegura que é dever do Estado fomentar atividades desportivas como direito inerente a cada cidadão. Dessa forma, torna-se repudiável o fato do poder público não incentivar a prática de tais exercícios entre as mulheres, além de tratar como segunda instância aquelas que o fazem.

Por conseguinte, é de grande importância mencionar que esse contexto está fortemente relacionado com a desigualdade de gênero existente desde as primeiras civilizações, já que, no período da Grécia Antiga, esse sexo era visto como responsável apenas pelas tarefas domésticas e criação dos filhos. Nesse viés, no panorama atual, tal preconceito continua enraizado em muitas pessoas, haja vista que, conforme exposto pelo jornal “Folha de São Paulo”, a prática de esportes por mulheres é 40% inferior em relação aos homens. Logo, urge que medidas sejam tomadas, com o fito de melhorar o cenário no qual essa parcela encontra-se inserida.

Em suma, diante dos conflitos abordados, cabe ao Estado, como mantenedor da ordem, progresso, leis e bem-estar civilizatório, investir na criação de projetos que incentivem a prática do esporte feminino como exercício da cidadania, mediante a criação de campanhas que deveriam ser divulgadas nos diversos meios midiáticos, como TV e redes sociais. Tal ação poderia ser realizada por meio da alocação de recursos do Ministério da Economia e órgãos governamentais, com o intuito de romper com os pensamentos preconceituosos de grande parte da sociedade e valorizar, de fato, a inserção das mulheres nesse meio. Com isso, pode-se almejar um contexto que legitime os preceitos estipulados pela Constituição de 1988 e que seja diferente àquele demonstrado pela obra cinematográfica “Menina de Ouro”.