A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 31/07/2020

De acordo com o relatório “Movimento é vida”, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a prática de exercícios físicos por mulheres no Brasil é 40% inferior à dos homens. Diante disso, pode-se observar que o cenário esportivo ainda tem muita desigualdade de gênero, no qual o esporte feminino sofre grande desvalorização. Isso ocorre ora devido ao machismo presente na sociedade, ora em decorrência da falta de investimento por parte das empresas esportivas.

A priori, é imperioso relacionar o preconceito histórico com a coerção ocasionada pela ditadura militar. Em 1965, o Conselho Nacional de Desporto proibia a participação de mulheres em determinadas modalidades consideradas “incompatíveis com o gênero”, como futebol e artes marciais. Sob esse viés, tais atitudes por parte do Estado acarretaram a formação de uma sociedade com raízes preconceituosas, em que as mulheres sofrem com barreiras impostas no esporte, em consequência de tais ideologias obsoletas e sem fundamento.Assim, impedindo a generalização do senso de igualdade e valorização por parte dos indivíduos. Evidencia-se, portanto, o impacto da história brasileira na manutenção do menosprezo do esporte feminino.

A posteriori, é imperativo concatenar o descaso das empresas com o pensamento de Arthur Schopenhauer. Segundo o filósofo alemão, todo homem toma os limites do seu campo de visão como os limites do mundo. Nessa lógica, com a falta de oportunidade e estímulo por parte da mídia e de empresas do ramo esportivo, inúmeras mulheres desistem de prosseguir com o sonho de se destacarem e se manterem financeiramente com a modalidade praticada. Dessa forma, a atual conjuntura de valorização exclusiva do gênero masculino se mantém.

Depreende-se, destarte, a necessidade de mudanças para tornar possível a valorização do esporte feminino. Logo, é imprescindível, precipuamente, modificações no sistema educacional vigente no país. Necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União (TCU) direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, seja revertido na implementação de disciplinas focadas na formação de atletas femininas em instituições públicas e privadas. Isso deve ser feito por meio da contratação de educadores físicos, buscando proporcioná-las o desenvolvimento de uma carreira, com estímulo, engajamento e preparo. Em suma, deverão ser realizados campeonatos nas escolas e em quadras poliesportivas estaduais, com a finalidade de atrair investidores e olheiros que objetivem engajá-las em âmbito profissional. Assim o campo de visão delas ampliará e os limites do mundo reduzirão drasticamente.