A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 31/07/2020

O patriarcado é um sistema social em que o poder, tanto econômico, quanto social, político e outros estão concentrados nas mãos de homens adultos. Esse é o contexto em que o mundo vive desde sua origem. Nesse sentido, no esporte vive-se a mesma situação, pois a maioria das atividades esportivas são consideradas masculinas, gerando uma desvalorização no esporte feminino, fazendo-se necessário entender e buscar formas de mudar essa realidade.

Primeiramente, é importante ressaltar que, no governo de Getúlio Vargas, o futebol masculino brasileiro era profissional há quase 10 anos, mas a prática feminina era proibida por lei, sendo permitida apenas no final da Ditadura Militar. Ademais, até hoje, 40 anos depois, o esporte feminino ainda é negligenciado, ou seja, há falta de investimentos, de patrocínio e de valorização das esportistas. Isso tem sido combatido pelas próprias mulheres, como ocorrido em 2019, quando a artilheira Marta, em um dos jogos, usou uma chuteira sem logo em prol da igualdade no esporte. Nesse contexto, ela confirmou que não tem patrocínio de marcas grandes como a Nike, a Adidas, a Puma, entre outras, pois a oferta era muito abaixo do valor oferecido para homens. Esse caso demonstra a luta constante das mulheres por reconhecimento, tanto pelo seu gênero, quanto por sua excelência como atleta, já que Marta ultrapassou Pelé na quantidade de gols já feitos, sendo a melhor artilheira do mundo.

Outrossim, é necessário destacar que há, ainda, alguns obstáculos para a valorização do esporte feminino que vão além do machismo, como a desigualdade social e o baixo acesso das mulheres às práticas esportivas. Isso é comprovado por um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o qual indica que essa prática entre as mulheres é 40% menor em relação aos homens. Em relação à questão financeira, a Organização das Nações Unidas (ONU), apresenta uma relação renda/participação, ou seja, quanto menor o recurso financeiro, maior a diferença de participação esportiva por gênero. Um exemplo dessa situação são as mulheres que ocupam boa parte do seu tempo com tarefas domésticas, por não terem muita ajuda ou condição melhor de vida, o que diminui seu tempo de lazer. Portanto, ter que se sacrificar para viver, não permite que haja tempo para o esporte, o que dificulta ainda mais a valorização dele, por não tornar a prática feminina comum.

Diante do exposto, é perceptível que as mulheres ainda sofrem muito preconceito e dificuldade quanto à prática de atividades esportivas, o que impede sua valorização. Para mudar essa realidade, o Ministério da Cidadania deve criar projetos para o acesso feminino no esporte, por meio de parcerias com Organizações Não Governamentais (ONGs) e financiamento por verba pública, o que pode garantir acesso principalmente de crianças e jovens, a fim de estimulá-las e valorizá-las.