A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 31/07/2020

A inglesa Mary Wollstonecraft, considerada fundadora do movimento feminista, enunciou em sua época que, sob direitos iguais, a mulher é capaz de emular as mesmas virtudes do homem. Ainda que se tenha passado muito tempo, a sociedade brasileira vigente carece de ideias sobre a igualdade de gênero, afetando a valorização do esporte feminino em solo nacional. Com isso, sob análise de aspectos socioculturais, busca-se entender as causas desse problema e suas consequências que depreciam o esporte feminino, a fim de que homens e mulheres tenham igual prestígio na área dos desportos.

Atualmente, observa-se que, apesar de passos significativos como o direito à educação e ao voto, o público feminino ainda encontra entraves na conquista de prestígio esportivo, muito por conta do funcionalismo social, onde praticar esportes se adéqua exclusivamente como uma característica masculina. Sob tal realidade, as mulheres que decidem adentrar o mundo do esporte são discriminadas e desvalorizadas por desempenharem um papel não sujeito a elas, ditado por uma estrutura social machista. Segundo a Federação Internacional de Futebol (FIFA), a audiência televisiva do Campeonato Mundial Feminino de 2019 cresceu 30% se comparado ao ano de 2015; no entanto, se comparado ao número de telespectadores que assistem aos jogos masculinos, a diferença é gritante, refletindo em consequências como a falta de apoio e patrocínio, enfraquecendo o incentivo ao futebol feminino.

Outro aspecto social notável que deve ser analisado é a substituição de hábitos desportivos por aparelhos eletrônicos. Indubitavelmente, o que se vê hoje é uma supervalorização da tecnologia e seus dispositivos em detrimento das práticas atléticas, somando para a desvalorização do esporte feminino, haja vista que, por conta dessa substituição gradual, poucas iniciativas ao esporte são realizadas para a integração da mulher. Na visão do sociólogo brasileiro Herbert José de Sousa, o desenvolvimento humano é dependente da igualdade, da diversidade e da participação social, e não reafirmar esses pontos significa renegar o progresso. Por isso, diante de poucos projetos sociais em prol do esporte feminino, mulheres são desmotivadas a lutar pelo seu espaço e de exercerem sua liberdade.

Em vista dos argumentos apresentados, é dever do Estado, na figura do Ministério da Cidadania e do Ministério das Comunicações, elaborar campanhas de marketing para o meio televisivo e redes sociais, através de cartazes publicitários e de vídeos explicativos, objetivando a conscientização do público quanto às dificuldades que a mulher enfrenta no meio esportivo por conta do gênero. No dizer da escritora Cecília Meireles: “a primavera chegará, mesmo que ninguém acredite no calendário”. Assim, dias melhores virão às mulheres, e o melhor esporte será a vida exercendo sua liberdade.