A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 31/07/2020
A espnW’s produziu uma campanha, em 2016, com o intuito de representar o poder de atletas no esporte. A produção convidou fãs de esportes para reconhecerem alguns dos profissionais, mas nenhum nome feminino foi mencionado. No entanto, os participantes perceberam seu ato falho ao não recordar de mulheres ao pensar no esporte. Apesar dos esforços para desvincular a imagem automática da masculinidade ao quadro, as mulheres e suas habilidades, ainda não são valorizadas da mesma maneira. Pode-se dizer, então, que à associação de fragilidade ligada ao corpo feminino e à ótica exposta pela mídia são os principais responsáveis pelo cenário.
Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que ao longo do tempo a biologia, no contexto e observação da evolução, compreendeu-se que o homem tem um melhor desenvolvimento no cérebro ligado à razão, e a mulher, o da criatividade. Entretanto, o fato exposto pela ciência não limita uma desconstrução, comprovado por grandes nomes na ciência, como Margaret Heafield, uma das responsáveis do projeto “Apollo”, da Nasa. Paralelamente, foi construído ao longo da humanidade um estereótipo de mulher delicada e frágil, que por tamanhas conquistas de atletas, como Marta Reis, pode-se provar o contrário. Dessa forma, as crenças antigas, de um mundo com pouca informação, precisa ser superado para dar espaço à mulheres que querem representar o quão são fortes.
Em seguida, a mídia trabalha de maneira a tangenciar a importância do esporte, que é a execução dele, quando o evento não é dos homens, e tende à retratar a ocasião com imagens que distorcem a realidade, as quais focam na beleza feminina. Segundo o Florestan Fernandes, sociólogo brasileiro, a mídia é a maior de todas as possíveis manipulações: ao expor fotografias de mulheres em descanso, ao invés de chutando a bola, por exemplo. Nesse viés, a distorção também pode ser percebida na divulgações de eventos mundiais, como a copa - a qual recebe ampla divulgação quando é a do futebol masculino, e a mínima visibilidade quando é a do feminino. Desse modo, ainda que em um esporte como o futebol, tão amado pelo povo brasileiro, as mulheres, apesar das tentativas de mudanças, ainda encontram barreiras sociais.
Infere-se, portanto, que há uma alienação quanto às atletas femininas nos diversos tipos de esportes, e que há uma necessidade de quebrar esse paradigma, o qual visto na campanha da espnW’s. Sendo assim, a Mídia brasileira, propagadora de informação e principal ferramenta para o compartilhamento de eventos esportivos, através de seus canais, deve promover constantemente campanhas que representem a habilidade única da mulher nesse campo, a fim de provocar a visibilidade e o investimento para a sua manutenção na carreira, proporcionalmente aos dos homens.