A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 31/07/2020

Edson Arantes do Nascimento, mais conhecido como “Pelé”, é considerado o maior jogador de futebol de todos os tempos, seu legado é lembrado mesmo após anos do término de sua carreira, contudo, apesar do grande holofote sobre essa representação masculina no esporte, é evidente um contraste gigante com a mulher, também brasileira, que é a melhor futebolista do planeta, Marta. Infelizmente, esse fato não se limita apenas ao futebol. No Brasil contemporâneo, essa discrepância na valorização entre o esporte masculino e feminino é abissal, isso é resultado de preconceitos sociais e, também, pela falta de visibilidade do esporte feminino.

Primeiramente, é incontrovertível  que há uma visão social preconceituosa em relação as modalidades femininas do esporte. Na célebre obra “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, é notório, por meio do comportamento dos personagens, como o ambiente é capaz de alterar a percepção do indivíduo acerca do mundo, seus preconceitos e opiniões. Fora da literatura não é diferente, o Brasil foi fundado, segundo Gilberto Freyre, por uma sociedade extremamente patrimonialista e patriarcal, ou seja, a história do país é calcada nos homens, e não nas mulheres, isso corrobora para que, nos tempos atuais, esteja presente um enorme machismo social que, por sua vez, retira a legitimidade da mulher em diversas áreas, inclusive no esporte.

Outrossim, deve-se salientar que há uma carência na visibilidade midiática das modalidades femininas dos esportes. Excluindo os anos de olimpíadas, em que vemos muitos esportes femininos  passando em televisão, graças ao excelente desempenho das mulheres nesse campeonato, é extremamente rara a presença delas no esporte sendo transmitidas ao público. Além disso, como supradito, existe uma falta de reconhecimento pelas mulheres que são expoentes no esporte, como a própria Marta, que já ganhou 5 vezes o prêmio da Fifa de melhor jogadora do mundo e, ainda assim, está longe de ter a valorização de um jogador masculino como Neymar, por exemplo.

Depreende-se, portanto, ser mister agir para alavancar a valorização do esporte feminino no Brasil. Em primeiro lugar, é imperioso que as Secretarias de Esporte, aliado às de Educação, de cada um dos 27 Estados, promovam palestras, aulas e programas de incentivo ao esporte feminino, em escolas das redes públicas, e abertas à comunidade. Ademais, é essencial que o Congresso Nacional promulgue medidas de incentivo fiscal ao canais de televisão, e rádio, que colocarem em sua programação esportes femininos, aumentando, com tais medidas, a visibilidade das modalidades femininas no esporte. A partir da efetivação dos procedimentos supracitados, esse imbróglio será mitigado, e o esporte feminino no Brasil, será, devidamente, valorizado.