A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 01/08/2020

Da Era Vargas até o fim do Regime Militar, 38 anos, as mulheres no Brasil  eram proibidas de realizar atividades esportivas que exigissem esforço físico, raiz histórica que gera consequências. Na hodiernidade, o esporte feminino ainda é extremamente desvalorizado, ficando em segundo plano-quando comparado ao masculino. Nesse sentido, a estrutura machista na qual a sociedade foi moldada subjuga as capacidades das mulheres e as colocam como meras progenitoras. Consequentemente a desvalorização dessas atletas dificulta a aquisição de patrocínio e/ou divulgação, o que inviabiliza, em muitos casos, a dedicação exclusiva ao esporte ou até mesmo a simples prática.

É importante salientar, de início, que há um machismo estrutural no Brasil que influencia diversos setores da sociedade e que impacta diretamente na prática esportiva, criando dogmas que,  inadequadamente, determinam o que é “de homem’ e o que é “de mulher”. Como prova disso, de acordo com dados da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em 2017 a soma da folha salarial do campeão e do vice feminino do Brasileirão correspondia apenas a 0,55% dos respectivos masculinos. Dessa forma fica, evidente a desigualdade e desvalorização feminina no esporte, condição que pode ser vista no futebol, o mais popular no Brasil, e que por décadas foi exclusividade de homens. Portanto, é necessário eliminar esses dogmas em todas as vertentes esportivas para maior valorização feminina.

Por conseguinte, as atletas não são tão influentes na sociedade como são os atletas masculinos, condição que não é atrativa para possíveis patrocinadores. Desse modo, a disparidade de premiações e renda de atletas fica enorme, algo assustador por apenas  serem gêneros opostos. Nesse sentido, Novak Djokovic, um dos mais importantes tenistas do mundo, afirmou que os homens deveriam receber mais que as mulheres por atraírem mais público, um comentário polêmico que reforça a visão machista a respeito do esporte, que atravessa fronteiras. Assim, é necessário criar medidas de valorização e incentivo às mulheres para que conquistem a equidade no esporte.

Destarte, é preciso identificar raízes do pensamento machista para contê-lo e evitar que talentos esportivos sejam desvalorizados simplesmente por serem mulheres. Para isso, o Ministério da cidadania- pasta responsável pelas ações de fomento ao esporte- deve, em parceria com o Ministério da Educação, promover a equidade de direitos entre homens e mulheres por meio de ações elucidativas nas escolas e universidades- ações essas que devem ser iniciadas nas aulas de educação física desmistificando e desfazendo a ideia de que a mulher é mais frágil e incapaz-  com o intuito de promover a valorização do esporte feminino. Por fim, as agremiações esportivas devem empenhar mais esforços no financiamento e na divulgação de suas atletas.