A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 01/08/2020

Em 1948, promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) , a Declaração Universal dos Direitos Humanos propõe como um dos fundamentos principais a igualdade de gênero. Contudo, a participação feminina no esporte representa um impasse para que se concretize esse ideal. Tal fato evidencia-se não só pela falta de recursos públicos, como também pelo preconceito enraizado na população acerca da inferioridade da mulher, herança de uma sociedade construída pelos pilares do machismo e do patriarcalismo. Assim, torna-se necessário o debate sobre a valorização do esporte feminino no Brasil, bem como a igualdade de gênero nos esportes.

Em primeiro plano, vale destacar a negligência governamental em garantir a acessibilidade e o estímulo à prática de atividades esportivas, visto que a diferença salarial baseada no gênero, atua diretamente na redução da parcela feminina no mundo esportivo. Ademais, em consoante à Constituição Federal, é sabido que esporte é um direito de todos. Sendo assim, torna-se inadmissível que a sociedade como um todo não incentive as mulheres a praticarem esportes e tratem como segundo plano aquelas que o fazem. Essa lógica é constatada pelos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2015, em que 68% das mulheres relataram que não praticam ou nunca praticaram esportes durante a vida.

Outrossim, a discriminação é um fator estarrecedor, posto que o machismo está arraigado no país. Convém lembrar que na Grécia Antiga, o fato da mulher ser considerada “sexo frágil”, enquanto os esportes seriam para os fortes, ainda reflete na sociedade atual. Consoante ao físico do século XX, Albert Einstein, “é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. Um bom exemplo da depreciação da visibilidade e capacidade das mulheres é o da jogadora Marta, que em dezembro de 2015,  passou Pelé e se tornou a maior artilheira da Seleção Brasileira, com 98 gols, mas ainda sim não é tão lembrada. Diante de tal contexto, faz-se fundamental que os indivíduos possam valorizar cada avanço que o universo feminino consiga realizar e cuide como prioridade o combate a toda intolerância.

Infere-se, portanto,que medidas são necessárias para resolver o impasse. Urge que o Estado, adjunto do Ministério da Educação, Esporte e Cultura – haja vista o seu dever em assegurar uma educação qualificada para todos -, planeje e desenvolva projetos e políticas públicas para estimular crianças e jovens a realizarem desportes, além de encorajar, por meio das escolas e da mídia, um embate a qualquer hostilidade, com o intuito de ter uma valorização maior e escassear o rebaixamento dessa camada. Dessa forma, poder-se-á aproximar-se da Declaração dos Direitos Humanos, e por conseguinte alcançarmos plenamente o Estado Democrático de Direito.