A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 03/08/2020

O papel feminino na sociedade é discutido desde a Revolução Francesa, ocorrida no século XVIII, em que Marie Gouze, por escrever a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, foi condenada à guilhotina. Nesse sentido, o papel da mulher, hodiernamente, torna-se passível de discussão, tendo em vista a carência da valorização do esporte feminino no Brasil. Nesse ínterim, urge compreender de que forma os estereótipos sustentados na população e a falta de auxílio monetário contribuem para a manutenção do impasse.

Em primeiro plano, convém destacar a forte carga cultural e histórica relacionada a essa problemática. À guisa da socióloga Ruth Benedict, a cultura é a lente pela qual o indivíduo enxerga o mundo. Sob tal ótica, é notório que em decorrência da mulher ser considerada “sexo frágil” desde a Grécia Antiga, faz com que se tenha a estereotipação do sexo feminino, excluindo-a do meio esportivo. Diante disso, torna-se evidente a importância de se destacar as conquistas femininas no ramo esportivo, a fim do término de estereótipos.

Outrossim, é fulcral analisar a falta de auxílio monetário nas práticas esportivas. Nessa lógica, é sabido que quanto menor a renda, maior a falta de acesso ao esporte. A exemplo disso, conforme a revista “Cidade Verde”, as opções de lazer não chegam até as periferias, tendo a acentuação da desigualdade. Sendo assim, as figuras femininas sofrem exclusão esportiva constantemente. Dessa forma, torna-se inadmissível em um país signatário da Declaração dos Direitos Humanos não incentivar a prática de esportes entre os cidadãos de menor renda.

Dessarte, é mister que o Estado tome providências para mudar o quadro atual. Para resolução do impasse, urge que o Ministério da Educação e Cultura -visto o seu dever de assegurar uma educação qualificada para todos - implemente, projetos e políticas públicas, -como a realização de modalidades esportivas com times que não sejam separados tendo o gênero como critério- que estimulem as crianças e adolescentes de regiões periféricas a praticarem esportes, a fim de depauperar a hostilidade feminina no meio esportivo, valorizando-as. Desse modo, as situações vividas na Revolução Francesa se distanciaram do cenário hodierno e a valorização do esporte feminino torna-se tangível.