A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 27/08/2020
Apesar das diversas conquistas femininas nas últimas décadas, como o direito de voto a partir de 1934, e a permissão para competir com futebol em 1979, ainda há um longo caminho a percorrer para a igualdade de gênero no Brasil. Prova disso, é o enorme desincentivo às mulheres atletas do país, com causa ainda amarrada á sociedade patriarcal. Mesmo com algumas vitórias já conquistadas, ainda precisa-se falar e lutar muito para a devida valorização do esporte feminino no Brasil.
Recentemente, esse debate ganhou mais repercussão após a ação de resistência feita pela jogadora de futebol Marta. A artilheira, mesmo sendo a maior do Brasil, com mais de 98 gols, se negou a aceitar os patrocínios de baixo valor que a foram oferecidos. Ao invés de aceitar receber bem menos que os homens, ela usou em seus jogos uma chuteira personalizada com o símbolo da igualdade. O fato de uma jogadora com tanto sucesso não ter patrocínio equivalente ao pago aos homens, apenas reforça que a cultura machista ainda perdura no esporte.
Nesse âmbito, pode-se seguir a linha de pensamento de Simone de Beauvoir, “Não se nasce mulher, torna-se”. Quando criança, ainda se é uma página em branco, e aos poucos se desenvolve o indivíduo. Enquanto os meninos são incentivados a diversos esportes como futebol e handebol, as meninas – muitas vezes- são privadas dessas experiências por conta de seu gênero. Quando adultos, tendem a assistir e valorizar mais os homens em tais esportes. Por conseguinte os homens ganham mais patrocínio e visibilidade, enquanto as mulheres continuam a margem.
Mediante o exposto, é urgente a elaboração de medidas para reverter o cenário. Para isso, o MEC deve adicionar o tema “igualdade de gênero no esporte” na grade curricular obrigatória nas aulas de Educação Física. Junto há isso, é necessário que o Ministério do Esporte junto as grandes empresas de mídia se unam para realizar campanhas de mulheres praticando esportes que arcaicamente eram designados a homens. Dessa forma, o esporte feminino será elevado ao mesmo grau de patrocínio, audiência e valorização do masculino, estabelecendo a igualdade de cidadãos no país.