A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 23/08/2020
Criadas na Grécia Antiga, as primeiras Olimpíadas vedavam a participação de mulheres. Após várias edições, atletas do sexo feminino foram, finalmente, aceitas na competição. Entretanto, ainda hoje, o cenário das mulheres no esporte brasileiro não é o ideal, pois existe uma desvalorização dessa modalidade, o que se deve, em suma, a fatores culturais e à falta de apoio que ela tem do público.
Em primeira análise, é oportuno salientar que, historicamente, as mulheres são designadas à atividades domésticas, o que tem papel protuberante nesse impasse. Análogo a isso, o sociólogo Karl Marx define a naturalização como a aceitação de situações de origem histórica. Da mesma forma, concebe-se a cultura de funções distintas para gêneros diferentes como definitiva, o que leva ao pensamento de que, quando esportes são praticados por mulheres, se trata de algo alternativo e de que apenas modalidades masculinas são legítimas.
Ademais, a audiência de jogos femininos é baixa e eles raramente são exibidos em TV aberta, o que explica a carência de patrocínios dos mesmos. De acordo com os filósofos da Escola de Frankfurt, o objetivo da indústria cultural é produzir conteúdos a partir do gosto do público, tornando-o facilmente atingível. Assim, a mídia exibe o que vai ter mais repercussão - os jogos masculinos - sem se preocupar com questões de igualdade de gênero, reforçando padrões sociais machistas.
Portanto, para que o esporte feminino seja valorizado no Brasil, é imperiosa a ação do Ministério do Esporte, através da autoridade que os seus membros contêm, determinando que metade das verbas disponibilizadas sejam direcionadas a essa categoria, além de promover propagandas publicitárias, incentivando patrocinadores a investir no atletismo feminino, e as publicar em canais televisivos e internet, com o objetivo de que as mulheres tenham recursos iguais aos dos homens e sejam reconhecidas pela sociedade como boas atletas. Dessa maneira, será possível viver numa sociedade mais igualitária e deixar a exclusão das primeiras Olimpíadas apenas no passado.