A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 29/08/2020

Em 1896, Barão de Coubertin, o idealizador dos Jogos Olímpicos Modernos, vetou a participação feminina nos jogos, afirmando que a prática vulgariza as mulheres e tornavam-as grotescas. Na contemporaneidade, a presença da mulher no esporte é reduzida comparada à dos homens, vitimizada de preconceitos e extremamente desvalorizada. Por essa perspectiva, é possível evidenciar a persistência da desigualdade de gênero, e os estigmas impostos pelo machismo estrutural na prática esportiva. Logo, faz-se necessária a análise dessa conjuntura, a fim de mitigar os entraves para a consolidação da participação igualitária de gêneros nos esportes.

Em primeira análise, é possível destacar que a participação da mulher no esporte é uma ação de conquista de espaços e luta em prol da igualdade de gênero, uma vez que o esporte feminino sofre por paradigmas culturais, econômicas e sociais, que invisibiliza a presença feminina e tornam-a alvo de preconceito. Ademais, a cultura patriarcal é responsável por tal desigualdade, já que se opera de forma opressiva e não democrática. Segundo Pierre Bourdieu, sociólogo francês, a dominação masculina se trata de uma violência simbólica - poder de significação de um grupo devido a influência e poder daquele que o atribui - pois essa relação desigual promove a naturalização e aceitação dos estigmas sociais. Por esse viés, os estigmas enfrentados pelas mulheres no âmbito esportivo destacam uma quebra de paradigmas socioculturais.

Além disso, o esporte que é usado como ferramenta de inclusão social devido a sua participação abrangente em vários setores, como na área da saúde, educação, no desenvolvimento de cultura e de habilidades sociais, acaba tornando-se ferramenta de exclusão quando se trata da atuação feminina, já que é condicionada a ideais culturais que pregam a força, a competitividade, a resistência como aspectos da figura masculina. Dessa forma, a figura feminina é desvalorizada, pouco patrocinada, e pouco exibida na mídia esportiva. Assim sendo, no documentário “Brilhante”, conta a história de Fofão, ex-jogadora de voleibol, e evidencia essa cultura de desvalorização e os impasses enfrentados por ela na conquista de espaço no esporte.

Infere-se, portanto, que para a promoção de maior representatividade feminina nos esportes, é necessário que o Ministério do Esporte promova mais investimentos na área esportiva feminina, contribuindo para o maior acesso aos esportes pelas mulheres, a fim de reconhecer talentos e formar jogadoras, por meio da construção de poliesportivos. Além disto, garanta que seja transmitido jogos femininos nas mídias televisivas, a fim de romper com os paradigmas culturais que estão inseridos estruturalmente na sociedade. Assim, visando uma sociedade mais igualitária na prática desportiva.