A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 01/09/2020

Conforme Voltaire, filósofo iluminista francês, um preconceito é uma opinião que não foi submetida à razão, ou seja, não existem motivações lógicas para tal julgamento prévio. Entretanto, nota-se como a diferença de gênero está inserida na formação histórica do Brasil, uma vez que direitos e deveres das mulheres foram reprimidos ao longo do tempo, a exemplo da possibilidade de votar. Por conseguinte, tal cenário de misoginia foi responsável por dificultar a participação feminina em temas importantes do país, como política, cultura, educação e esporte. Desse modo, enquanto as modalidades esportivas masculinas obtiveram condições suficientes para seu desenvolvimento, as atletas brasileiras convivem com preconceitos e a falta de interesse do público. Logo, medidas, com o objetivo de valorizar o esporte feminino no Brasil, são necessárias.

Em primeiro plano, segundo Leandro Karnal, historiador brasileiro, a misoginia é o preconceito mais antigo e estrutural da humanidade, assim, os entendimentos machistas guiaram a formação dos brasileiros, o que diminuiu as oportunidades de desenvolvimento das atletas. Ademais, o machismo faz com que o interesse da população nos esportes femininos seja reduzido, consequentemente, os patrocinadores de esportes preferem se associar aos eventos de maior público, dos homens. Além disso, o Brasil está classificado entre os países menor qualidade de ensino, de acordo com o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, quadro que contribui para a manutenção dos preconceitos.

Diante deste panorama de falta de investimento em modalidades esportivas femininas tangente à ausência de educação adequada aos brasileiros, a principal consequência é a continuidade da desvalorização das atletas. Agregado a isso, a tecnologia está cada vez mais ligada aos esportes, para auxiliar os esportistas fisicamente, porém, tais recursos tecnológicos exigem meios financeiros que as atletas brasileiras não possuem, portanto, as desigualdades esportivas, por gênero, são ampliadas. Então, intervenções, a fim de valorizar o esporte feminino no Brasil, são necessárias.

Em síntese, o Estado, por intermédio de suas instituições (bancos e órgãos públicos), deve aumentar os patrocínios em equipes femininas, ação fundamental para que as atletas tenham acesso a recursos tecnológicos que os homens possuem e, em vista disso, possam se desenvolver de maneira igualitária. Somado a isso, as escolas, por meio de professores de educação física, devem realizar atividades que mostram aos alunos como é importante apoiar o esporte feminino, atitude que forma cidadãos interessados nos jogos das mulheres e reduz preconceitos. Em conformidade com essas intervenções, o esporte feminino no Brasil deve ser mais valorizado.