A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 01/09/2020

Desde a literatura romântica, no século XIX, os poetas tratavam as mulheres como instrumento de sedução, submetendo-as à condição de inferioridade. De maneira análoga à realidade contemporânea, percebe-se a homogeneidade masculina em diversas esferas de atuação coletiva, inclusive, nas práticas esportivas, o que remete a um passado histórico excludente. Com efeito, é nítido que há impasses para a valorização do esporte feminino no Brasil, devido à permanência da cultura sexista e à negligência governamental, fazendo-se mister analisar tais fatores.

Em primeiro lugar, é imperativo pontuar que a discriminação e o preconceito de gênero constituem uma problemática de ordem sociocultural. Tal fator associa-se aos constantes estereótipos atribuídos às mulheres, os quais relegam-lhes ao suposto papel social de “donas do lar” e ao mito do “sexo frágil”. Parafraseando o físico Albert Einstein, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito enraizado. Desse modo, torna-se essencial que haja mudanças significativas em métodos comportamentais defasados que ainda permeiam a sociedade, para romper com o paradigma hodierno.

Outrossim, é válido averiguar que a Constituição Federal de 1988 assegura a igualdade cívica como um princípio inerente à sociedade democrática de direito. No entanto, tal aparato jurídico faz-se pouco efetivo em metodologias práticas, em virtude da inércia governamental no que tange à promoção de políticas públicas para fomentar um pleno acesso feminino ao campo do esporte. Logo, é substancial a existência de uma articulação da sociedade civil e do Poder Público, a fim de gerar um engajamento social eficiente para reverter o quadro em voga.

Em síntese, a observação crítica dos fatos mencionados reflete a urgência em viabilizar providências para mitigar o panorama atual. Portanto, compete ao Ministério da Educação (MEC), por meio de verbas públicas, implementar um projeto socioeducativo voltado para a conscientização sobre a igualdade de gênero nas escolas. Isso deve ser feito mediante aulas, palestras e debates, ministrados por profissionais das Ciências Humanas, com o fito de possibilitar uma mudança de paradigmas socioculturais excludentes. Ademais, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos , mediante parcerias com as grandes mídias, realizar campanhas em prol do engajamento feminino no esporte.Tal ação tem como finalidade aumentar a participação de mulheres no setor e, assim, tornar possível uma verdadeira valorização feminina além do âmbito esportivo.