A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 02/09/2020
Nos anos 80, o clube de futebol Corinthians serviu de palco a um dos grandes movimentos político-sociais da história do esporte brasileiro: a Democracia Corinthiana. Essa iniciativa consistiu em medidas democráticas dentro do clube, como o voto de todos os empregados nas decisões, no contexto nacional do Regime Civil-Militar. Dessa forma, o esporte mostrou-se um setor por meio do qual mudanças na sociedade poderiam ocorrer. Contudo, na atualidade, essa esfera se acomete por uma grave dificuldade no que tange à valorização do esporte feminino nacional. Assim, é pertinente analisar a falta de incentivos, bem como o sistêmico preconceito como mantenedores dessa conjuntura.
Primeiramente, a escassez de incentivos configura-se como uma das principais causas de a prática esportiva feminina ser pouco reconhecida. Segundo o filósofo político contratualista John Rawls, a fim de reparar o desvio das contingências, a sociedade deve dar atenção aos grupos oriundos de posições sociais menos favoráveis. Porém, a visão do pensador não se efetiva no cenário nacional, já que a Iniciativa Privada, a sociedade civil e o Estado apoiam, majoritariamente, a prática masculina. Situação essa visível no grande número de centros de treinamento desse gênero, por exemplo. Com isso, a prática feminina culmina por ser relegada ao esquecimento, o que intensifica as disparidades.
Além disso, deve-se analisar o preconceito, que resulta da falta de debate sobre o revés. De acordo com a filósofa Hannah Arendt, em “Banalidade do Mal”, sociedades cujos princípios não são discutidos e relativizados pelos indivíduos que a compõem são mais suscetíveis à naturalização de práticas deletérias a certos grupos. Com efeito, esse fenômeno, infelizmente, encontra-se presente no Brasil, em virtude de o discurso sobre o esporte feminino ser rarefeito na maior parte das escolas, por exemplo. Logo, a desvalorização tende a permanecer na sociedade, pois não é devidamente combatida.
Portanto, é imprescindível que a realização feminina do esporte seja, por merecimento, valorizada no país. Para isso, o Superministério da Cidadania, como responsável pelo esporte e pelo desenvolvimento social, deve desenvolver, por meio de verbas advindas do Legislativo, unidades poliesportivas que contarão com profissionais e estrutura adequada para o desenvolvimento físico e psicológico das atletas. Tais unidades podem ser patrocinadas por clubes que contam com maior poder aquisitivo atualmente, visando a fortalecer o setor e dar-lhe mais visibilidade. Feito isso, uma esfera social cujos princípios se aproximarão dos ideais do clube paulista será alcançada.