A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 04/09/2020
Segundo a Constituição Federal de 1988, é dever do Estado oferecer aos cidadãos esporte, cultura e lazer, sem qualquer distinção de gênero. No entanto, sua aplicabilidade torna-se inviável diante da presença de costumes de cunho patriarcais que, invariavelmente, insistem em excluir mulheres da prática de esporte. Nesse sentido, é indubitável a necessidade de se reverter a desvalorização feminina no campo esportivo que tem como principais causas o preconceito e o histórico desincentivo estatal.
Em primeira análise, a constituição de uma sociedade com aspectos machistas é um dos pilares que promove a exclusão de mulheres no esporte. De acordo com o sociólogo Max Weber, o indivíduo é apenas resultado do corpo social, uma máquina que reproduz atitudes enraizadas que persistem no âmbito político e familiar. Desse modo, o baixo índice de adesão por parte do sexo feminino é reflexo de um contexto histórico que sempre tornou sua presença desprezível e pertencente ao lar para afazeres domésticos o que, gradativamente, foi capaz de desmotivar a presença feminina no contexto esportivo ,pois, segundo dados da OMS o número de homens excede em 40% o de mulheres.
Ademais, a ausência de políticas públicas que visem aprimorar e expandir o acesso à prática esportiva é uma realidade que assola o contexto histórico brasileiro. A Ágora foi um espaço de práticas comunicativas na Grécia Antiga, na qual eram discutidos medidas a serem tomadas na Polis(cidade) em busca do bem comum contudo, a participação estaria restrita ao sexo masculino em vista da existência de uma suposta superioridade biológica. Analogamente à isso, a pouca participação política de mulheres no Brasil dificulta, ainda mais, o ingresso adequado desse gênero à prática esportiva visto que é antigo o pensamento da supremacia masculina e,portanto, nos esportes de principais audiência como o futebol e a natação é nítido uma discriminação que ainda vigora.
Assim, a transformação dessa mentalidade patriarcal existente é o primeiro passo em busca do progresso e a aplicabilidade plena da Constituição. Por conseguinte, é fundamental que o Poder Legislativo estabeleça obrigatório o investimento na inclusão feminina, por intermédio de um projeto de lei, que possa destinar 1% do PIB a centros de atividade física voltados ao público em questão a fim de oferecer oportunidade para quem deseja seguir a carreira e,gradativamente, tornar as praticantes com tanta visibilidade social como os do sexo masculino. Além disso, a mídia deve trabalhar nessa causa, por meio de banners e propagandas, nas principais redes sociais existentes de modo a demonstrar a importância da prática e seus benefícios à saúde humana com intuito de incentivar a ida aos centros esportivos, principalmente, o público feminino que, invariavelmente, encontra-se sob coerção social.