A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 31/10/2020
Desde a Grécia Antiga, as práticas corporais eram vistas como um elemento fundamental para a formação do ser humano. Contudo, as mulheres foram, por muito tempo, excluídas dessas atividades por serem vistas como inferiores e frágeis, mas conseguiram, recentemente, o direito de exercê-las, porém ainda há desafios a serem combatidos. Sob tal ótica, a valorização do esporte feminino no Brasil é essencial para a diminuição da desigualdade entre os sexos, todavia encontra dificuldades no mercantilismo e na cultura machista.
Inicialmente, a lógica capitalista atrapalha no aumento da visibilidade das mulheres nos desportos. De acordo com a Escola de Frankfurt, a “Indústria Cultural” é caracterizada pela venda de obras de arte em série e em larga escala, o que fez elas perderem parte do seu caráter de crítica social em prol do aumento dos lucros pela venda de produtos capazes de agradar a massa. Diante disso, a divisão masculina dos esportes é mais apreciada e assistida pela população e, por isso, recebe mais patrocínios. Por conseguinte, as empresas não se interessam em investir nas modalidades femininas por serem menos lucrativa, consequentemente, menos pessoas vêem as mulheres exercendo um papel de protagonismo e pode haver a naturalização da ideia de inabilidade delas e superioridade masculina.
Outrossim, o preconceito em relação às funções que podem ser exercidas por mulheres prejudica o aumento da participação delas em competições esportivas. Em consonância com Simone de Beauvoir, padronizou-se a visão do homem como o ser humano e a da mulher como o “segundo sexo”, porquanto, quando elas agem como um indivíduo com liberdade, direitos e vontades, são acusadas de imitarem o macho. Dessa forma, frases como “joga igual homem” ou “nem parece que é mulher” corroboram para o fortalecimento da perspectiva do sexo masculino como o modelo de perfeição a ser seguido. Nesse sentido, o esporte feminino é visto com menor importância, o que favorece a desvalorização das atletas e a falta de reconhecimento na sociedade em comparação aos homens.
É mister, portanto, tomar medidas que atenuem a desigualdade de apoio entre os segmentos masculino e feminino nos desportos. Logo, cabe ao Poder Legislativo federal estimular o aumento do apoio financeiro às esportistas, por meio da criação de uma lei que garanta incentivos fiscais às empresas que patrocinarem times femininos. Ademais, esse mesmos benefícios serão fornecidos a emissoras de televisão que transmitirem jogos e competições com mulheres, bem como propagandas de valorização das suas liberdades, capacidades e direitos. Espera-se, assim, reduzir o estigma contra a presença feminina nas práticas corporais e a falta de recursos nessa modalidade.
Falta de patrocínios , Ind´sutria cultural
cultura machista, Simone de Beauvoir
Grécia olímpiada