A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 19/12/2020

O poeta Carlos Drummond de Andrade metaforizou em seu poema “No meio do caminho”, a ideia de que, durante a vida, os indivíduos encontram empecilhos a serem superados. Sob tal ângulo, percebe-se que a valorização do esporte feminimo configura-se como um obstáculo tanto para a população brasileira, quanto para as mulheres que têm o sonho de seguir carreira em alguma modalidade de esporte. Nesse sentido, cabe avaliar que esse cenário nefasto ocorre em virtude da insuficiência legislativa, do preconceito e da falta de visibilidade do assunto.

Em primeiro lugar, convém mencionar a ineficácia estatal e o preconceito voltado para o tema. Em relação a isso, o termo “ausente contumaz”, elaborado pelo ex-presidente Washington Luís, norteia a negligência dos órgãos públicos, em grande parte, com assuntos de aspectos sociais, como é o caso do preconceito de gênero no esporte brasileiro. A título de exemplificação, nota-se que o não incentivo do governo ao esporte feminino se deve ao fato do mesmo não valorizar políticas de esporte em escolas e também de igualdade de gênero, visto isso, o preconceito com mulheres no esporte não é elimindado do país. Tal descaso reflete na população feminina brasileira, já que, segundo o G1.com, as mulheres preferem seguir para esportes considerados “femininos” como a ginástica ou a natação artística, ao invés de outras modalidades como o futebol, o qual sofrem muito com o machismo.

Ademais, é válido salientar a falta de visibilidade do tema. Consoante à ideia do linguista Noam Chomsky, os veículos de comunicação possuem a capacidade de silenciar, muitas vezes, determinados assuntos, como o referente imbróglio do valor ao esporte feminino. Dessa forma, é evidente que a problemática do não reconhecimento das mulheres no esporte, uma vez que não abordada pela imprensa, torna-se um assunto pouco discutido na sociedade. Desse modo, o não protagonismo da temática em questão, a qual deve ser abordada com relevância pelos meios de comunicação, a fim de que se minimizem os impactos relacionados a ela, como o baixo salário e a falta de reconhecimento das mulheres no desporte, tornam-se esquecidos das prioridades a serem solucionadas no país.

Portanto, o problema mostra-se uma “pedra” a ser removida para o desenvolvimento do país. Destarte, o Ministério da Cidadania - responsável pelos programas de fomento ao esporte -, junto ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, por meio de mais verbas sendo destinadas ao assunto, devem realizar políticas de estímulo e apoio ao esporte feminino, visando combater o preconceito, a desigualdade salarial e a ausência de reconhecimento. Outrossim, a mídia, mediante reportagens e notícias, deve exibir os esportes femininos com tanta frequência quanto os masculinos em rádios, televisão e internet. Logo, os cidadãos brasileiros irão reconhecer mais o esporte feminino.