A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 20/10/2020
No Brasil, desde a formação da população brasileira propriamente dita até meados do século XIX, vigorava na sociedade um modelo patriarcal extremamente exigente em todos os aspectos da vida das mulheres. Assim, os homens tinham um papel central, controlando as formas de se vestir e se comportar da mulher. Dessa forma, isso trouxe consequências históricas à figura feminina, que, apesar de mudanças e direitos garantidos, ainda se encontra à mercê da maioria das áreas, inclusive nos esportes. Nesses, uma discussão em voga nos últimos anos, sobre a valorização do esporte feminino no País, trouxe à tona dois impasses principais, o preconceito intrínseco e a falta de investimentos.
Nesse aspecto, na Grécia Antiga, era proibido, às mulheres, participação nos jogos olímpicos, por acreditar-se que essas seriam masculinizadas e não terem condições físicas para tal, posto que os esportes era algo reservado aos homens. Portanto, assim como na Antiguidade, essa associação da prática de esportes à figura masculina perdura até os dias contemporâneos, reproduzindo um preconceito intrínseco ao imaginário popular brasileiro, que afasta as mulheres das modalidades esportivas e adia, ainda mais, a tão sonhada igualdade de gênero nesse ramo. Evidência dessa clara disparidade são dados do PNUD, nos quais a prática de atividades esportivas por mulheres no Brasil é 40% inferior aos homens, número alarmante que elucida necessidade de medidas de mudança.
Ademais, há a questão da falta de incentivos. Nesse contexto, segundo a Primeira Lei de Newton, um objeto só sai do repouso se for submetido a uma força contrária que o retire desse estado inicial. De maneira análoga ao conceito físico, a única forma do esporte feminino ganhar mais visibilidade e sair da relativa estagnação, no panorama de participação na cultura nacional, é a partir de investimentos das iniciativas pública e privada. Contudo, o que se observa é a continuidade da subjugação feminina nessa área, como prova uma fala da secretária-geral da Fifa, Fátima Samoura, sobre os direitos televisivos, “Apenas cerca se 1% chega ao futebol feminino. É inaceitável.”. Além desses, diferença salarial, de ingressos e patrocínio tornam a disparidade ainda maior e dificulta o processo de valorização.
Dessarte, diante da não valorização do esporte feminino no Brasil, por preconceitos e investimentos, são necessárias medidas de mudança. Assim, é mister que as Secretarias Estaduais e Municipais de Educação incentivem o esporte às meninas desde a educação infantil até o médio, com cargas horárias integrais, fora do período de aula, para a prática. Outrossim, é substancial que o Ministério do Esporte, junto à iniciativa privada, disponha recursos para maior ocupação de cargos esportivos por mulheres, como técnicas, juízas e dirigentes, além de criar condições favoráveis à participação, com maiores salários, patrocínio e visibilidade televisiva. Logo, garantir-se-á equidade de gênero no esporte.