A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 20/10/2020

A Copa do Mundo de 2014, que possuiu sede no Brasil, levou o Governo a realizar gigantes gastos com a construção de estádios e de uma infraestrutura para a recepção dos estrangeiros. Nesse contexto, houve uma grande mobilização dos brasileiros por conta dos jogos, movidos pelo sentimento de união. Entretanto, ao se tratar de times femininos, não é visto um grande interesse por parte da maioria da população, o que evidencia a desvalorização do esporte feminino no Brasil, que se deve, em especial, aos salários mais baixos das atleta em relação aos homens e à falta de apoio e patrocínio para tornar a prática do esporte em questão algo rentável.

Em primeiro lugar, é preciso destacar os salários mais baixos das atletas profissionais, se comparados aos dos homens que jogam profissionalmente o mesmo esporte. Essa diferença salarial, presente também em grande parcela do mercado de trabalho, é uma problemática combatida por movimentos feministas no Brasil, que vão de encontra à desigualdade de gênero e às demais mazelas do patriarcado. Porém, mesmo com a luta e a relativa melhora ao longo dos anos, as mulheres ainda recebem menos que homens que ocupam cargos semelhantes, fator mais marcante no esporte, por ser masculinizado. Dessa maneira, os baixos salários são um problema que desmotiva as atletas a persistirem nos seus esportes, diminuindo a representatividade e a visibilidade dos times femininos.

Ademais, outro problema que dificulta a visibilidade dos times femininos e a ascensão desses no mundo do esporte é a falta de patrocínio e de apoio, seja por meio do Governo ou de iniciativas privadas. Essa realidade destoa muito do que é vivido pelos times masculinos, principalmente de futebol, que recebem enormes verbas para investir em infraestrutura e treinamento, além de acordos multimilionários com marcas famosas em todo o mundo, a exemplo da Nike, Adidas e Puma. Nesse sentido, devem ser feitos investimentos que aumentem a infraestrutura dos esportes femininos e que atraiam patrocinadores, os quais, por suas vez, aumentam a visibilidade desses times, que terão mais oportunidades de crescimento.

Torna-se necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para reverter esse cenário no Brasil. Para isso, urge que o Governo Federal, em conjunto com as Secretarias de Esporte e Lazer de cada estado e por meio de parcerias com a CBF, realize investimentos nos times femininos de várias modalidades de esportes, contemplando, assim, o aumento dos salários das atletas e uma melhoria na infraestrutura dos espaços de treinamento. Com isso, os times terão maiores chances de evoluir e atrair investimentos de grandes marcas, crescendo ainda mais e aumentando a participação de mulheres brasileiras no mundo dos esportes.