A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 20/10/2020
A primeira metade do século XX no Brasil foi permeada por um ideário sexista e discriminatório, um exemplo disso foi o decreto 3199, de abril de 1941. Essa lei restringia a prática profissional de quaisquer esportes apenas à modalidade masculina. Contudo, a abolição dessa lei em 1979 representou, de forma simbólica, uma súbita mudança no quadro machista e patriarcal do Brasil naquela época. Desde então, é indubitável que vem ocorrendo uma progressiva valorização do esporte feminino no país, mas também que, apesar dos avanços, o preconceito ainda vigora contra as atletas.
A escalada das mulheres no cenário futebolístico, e esportista como um todo, dos anos recentes alcançou números nunca antes conquistados. Tal afirmação pode ser corroborada por um levantamento do Ministério do Esporte, de 2016, o qual aponta que a participação feminina nas olimpíadas daquele ano chegou a 45%. Esse dado configura-se como um reflexo de diversos fatores sociais e históricos, a exemplo dos movimentos pró-feminismo ocorridos em massa no início do século XXI. Dessa forma, os efeitos acabaram prolongando-se para diversos setores da sociedade, desde o laboral até o esportivo.
No que tange a questão da valorização do esporte feminino no Brasil, diversas conquistas sucederam-se, mas a persistência dos preconceito ainda resiste. À título de exemplificação vale citar os jogadores de futebol Marta e Pelé. Essa possui um recorde nacional de 98 gols no total, caracterizando-se como o maior artilheiro do Brasil, enquanto este possui 95 apenas. A despeito da diferença de gols, a visibilidade, a qual engloba patrocínios e parcerias, ainda é maior para a modalidade masculina. Esse contraste fundamentado no gênero é exposto pelas palavras socióloga Nathália Ziê, a qual afirma que o universo dos esportes é muito masculino e as mulheres não são, muitas vezes, levadas a sério.
A valorização da figura feminina no campo esportivo revelou-se, em tempos recentes, como algo em crescimento, mas que também possui determinados descompassos de discriminação e preconceito a serem superados. Tendo isso em vista, o Ministério do esporte (ME) deve potencializar a visibilidade e patrocínio de times femininos, por meio da parceria com entidades privadas, proporcionando a estes incentivos fiscais. Isso deve ser feito por meio de maiores direcionamentos de verbas do próprio Ministério aos setores femininos. Além disso, o fomento a práticas esportivas de meninas em escolas públicas e privadas deve ser ampliado pelo ME, em parceria com o Ministério da educação, por meio de gincanas e torneios. Essas medidas delinearão um futuro mais igualitário à esfera dos esportes no país.