A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 20/10/2020
A luta pelos direitos femininos é um movimento popular que dura há séculos, sendo este iniciado durante o século XVIII, com o advento do Iluminismo. Desde então, as mulheres reivindicam mudanças no sua função social, a qual já abandonou os lares e ocupou ambientes de trabalho e políticos, mas ainda há muito a ser conquistado. Apesar da evolução alcançada, ainda há âmbitos em que a participação da mulher é vista de forma preconceituosa, a exemplo do ambiente esportivo, no qual a inclusão feminina ainda é considerada um tabu. Essa problemática se deve à falta de incentivo da participação desse grupo social no esporte e à pouca representatividade, uma vez que competições femininas possuem menos visibilidade nas mídias.
A queda do regime ditatorial no Brasil, ocorrida na década de 90, marcou uma mudança significativa na dinâmica das aulas de Educação Física no país, visto que, a partir desse período, passaram a ser realizadas de forma “mista”, incluindo os alunos do sexo masculino e do feminino nos mesmos horários. Essa alteração, além de promover a interação entre os gêneros de forma saudável, também promoveu a inclusão das mulheres no mundo esportivo, as quais eram proibidas, pela lei, de praticar esportes. Nessa perspectiva, nota-se a importância da educação na inserção feminina no ambiente esportivo, tendo em vista que a mudança no sistema impulsionou significativamente as alterações no mundo do esporte, que antes era exclusivamente masculino.
Além disso, a falta de visibilidade e investimento nas competições exclusivamente femininas também é um agravante nesse problema. Essa situação é nítida, sobretudo, no futebol brasileiro, o esporte mais popular do país, visto que as competições masculinas são transmitidas em TV aberta desde a década de 50, quando a televisão surgiu; por outro lado, o futebol feminino só alcançou essa conquista em 2019, quando a emissora Band fechou um acordo com a CBF para que pudesse transmitir as partidas. Esse contraste se deve à pouca valorização do futebol feminino no Brasil, a qual gera uma desmotivação em jovens brasileiras que tenham o esporte como objetivo.
Portanto, é imprescindível que o Governo Federal adote medidas enérgicas a fim de sanar esta problemática. Para isso, o Ministério da Educação deve elaborar campanhas de incentivo à participação feminina nas aulas de Educação Física a fim de despertar o interesse pelo esporte nas jovens brasileiras desde cedo e desconstruir a ideia de que o ambiente esportivo é exclusivamente masculino. Ademais, os canais abertos de maior circulação, em parceria com a Secretaria Especial do Esporte, devem fechar acordos com os órgãos responsáveis pelos esportes para que possam transmitir as competições femininas em rede nacional e promover a visibilidade dessa modalidade.