A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 20/10/2020
Na contemporaneidade, a mulher conquista cada vez mais espaço na sociedade, algo impensável há alguns anos, em que o papel feminino era restringido à reprodução e atividades domésticas. Contudo, na sociedade moderna, a mulher transpassou diversos paradigmas, e atualmente, obtém cada vez mais representatividade no meio social, um reflexo disso é o número cada vez maior de mulheres envolvidas com os esportes. Todavia, as atividades esportivas femininas no Brasil ainda são muito desvalorizadas, devido preconceito enraizado na sociedade, fruto de construções sociais misóginas e machistas, o que é um atraso social. Dessa maneira, o esporte feminino é um ótimo meio para garantir uma sociedade de iguais oportunidades, conquistas e com menos preconceito, atingido por meio do fomento e valorização destas modalidades.
De 2010 para os anos atuais, o povo brasileiro viu a derrocada de sua seleção masculina, e a ascensão da equipe feminina. No entanto, pouco se fala sobre isso, e mesmo com as ótimas campanhas do time das mulheres, a equipe dos homens é sempre citada mais vezes ofuscando as vitórias femininas. Dessa maneira, é possível perceber principalmente o favoritismo midiático pela equipe masculina, o que se configura como principal justificativa à falta de visibilidade das mulheres, em que muitas vezes os seus feitos não são levados diretamente ao público, e muito menos valorizados pelo país.
Ademais, embora existam esportes estigmatizados como “femininos”, estes ainda são vistos de forma inferior àqueles praticados por homens, o que confirma o preconceito universal, e não somente restrito aos esportes rotulados como “masculinos”, como é possível inferir com base nas olimpíadas do rio em 2016, em que mesmo na ginástica olímpica, esporte estereotipado como “feminino”, os meios de comunicação e informação referiam-se muito mais à equipe masculina, narrando seus feitos, e deixando as medalhas e feitos da equipe das mulheres para o segundo plano.
Nessa conjuntura, embora o esporte feminino apresente altas taxas de crescimento, ainda existem barreiras a serem quebradas, principalmente a do preconceito e descaso. Dessa forma, é necessário que o poder Legislativo elabore uma lei que determine a ocupação de pelo menos 50% das vagas de clubes esportivos e centros de treinamento por mulheres, incentivando a participação das mesmas nessas atividades. Além disso, é viável que o MEC estabeleça a obrigatoriedade de times escolares femininos em todo o país, como uma das diretrizes básicas da educação, garantindo que as mulheres compitam desde cedo, e criem apreço pelo esporte, gerando uma sociedade mais igualitária e justa.