A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 20/10/2020

A desigualdade entre gêneros é uma problemática histórica ainda muito evidente no mundo contemporâneo. O feminismo é um movimento que tenta sanar esse problema ou ameniza-lo, o qual reivindica o direito das mulheres e, consequentemente, exige uma representatividade maior nos ambientes estipulados “masculinos”, como por exemplo os esportes. Sendo uma das práticas sociais que refletem os padrões de comportamento e os valores de uma sociedade, é notável que essa diferença está refletida nesse plano, como fruto do machismo. Por isso, mesmo que a participação feminina tenha aumentado nas últimas décadas, o machismo e a falta de visibilidade, são fatores que deixam claro que ainda não é dado o devido incentivo à inclusão da mulher nesse meio.

Em primeiro lugar, é preciso ressaltar a forte carga cultural e histórica relacionada a esse comportamento. O machismo está enraizado na sociedade de forma tão evidente, que desde a infância, as meninas são incentivadas a brincar de boneca ou cuidar de casa, enquanto os meninos tem a liberdade de escolher qualquer esporte para praticar em seu tempo livre. Além disso, o afastamento feminino da prática esportiva é dado sob inúmeros discursos. Dentre eles, ressalta-se um falho argumento da mulher fazer parte do “sexo frágil”, levando as pessoas realmente crerem que são impossibilitadas de ter a mesma habilidade esportiva que os homens.

Em segundo lugar, é fundamental destacar a falta de visibilidade e patrocínio, principalmente por parte do governo. Dentre os principais nomes associados ao esporte, os maiores salários são pagos aos atletas masculinos, mesmo nos casos em que a jogadora há mais conquista, como por exemplo a atleta Marta que superou o Pelé, tornando-se a maior artilheira da história da seleção mas mesmo assim não há o mesmo reconhecimento que Pelé nos anos em que jogava. A mídia desempenha um papel negativo nesse cenário de exclusão, contribuindo com a falta de divulgação e transmissão dos jogos femininos.

Portanto, fica claro que a desvalorização da mulher no esporte provém do machismo enraizado historicamente e continua sendo uma problemática até os dias atuais devido a baixa visibilidade por parte da mídia. A fim de obter avanços nesse cenário, as escolas devem promover o incentivo aos esportes desde a infância, para ambos dos sexos. O Ministério do Esporte, por sua vez, deve investir em atletas femininas para aumentar a representatividade e conferindo-lhes a possibilidade de seguir a carreira esportiva. É papel da mídia, por fim, veicular mais informações sobre o esporte vinculado à mulher e valorizar as conquistas alcançadas por elas.