A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 20/10/2020
A sociedade espartana, diferentemente da ateniense, apoiava e incentivava a prática de esportes e atividades físicas por mulheres desde crianças, com o objetivo de, entre outros, aprenderem a se defender. Porém, com o passar dos séculos, a participação do público feminino nas modalidades esportivas diminuiu exponencialmente, chegando a ser proibida por lei no Brasil durante a ditadura Vargas. Sendo assim, é possível afirmar que o esporte feminino, que ainda é depreciado, precisa ganhar valorização por meio de incentivos morais e financeiros.
Consoante o sociólogo francês Émile Durkheim, o ser humano só poderá agir na medida em que conhecer o contexto em que está inserido, suas origens e as condições de que depende. Dessa forma, é possível afirmar que a falta de valorização por parte da sociedade afeta diretamente a quantidade de mulheres praticando modalidades esportivas, uma vez que o incentivo para tal é pouco comparado ao apoio oferecido ao gênero masculino. Diante disso, a pesquisa realizada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que revelou que a prática de exercícios físicos por mulheres brasileiras é cerca de 40% inferior a dos homens. Assim, é evidente que os incentivos morais por parte da população influenciam a participação das mulheres no esporte.
Além disso, durante o período da Baixa Idade Média, houve a ascensão da burguesia e do capitalismo comercial, que se desenvolveu até chegar ao atual capitalismo financeiro, o qual visa o lucro acima de tudo. Nesse contexto, é inegável que as relações comerciais se baseiam no acúmulo de riquezas, dificultando o investimento em aspectos sociais que tendem a ser menos valorizados. Desse modo, o esporte feminino, por não ter o devido prestígio na sociedade atual, não instiga a destinação de dinheiro suficiente para que haja um aumento do reconhecimento dessa prática. Exemplo disso é a jogadora Marta, artilheira que possui mais gols que Pelé, mas o salário, o patrocínio e a valorização desta são menores que outros jogadores que possuem menos pontuações.
Portanto, o reconhecimento do esporte feminino depende dos incentivos morais e financeiros da própria sociedade. Assim, para que mais mulheres pratiquem esportes, é preciso que a escola, por meio de aulas semanais, ofereça palestras sobre as vantagens das atividades físicas e a carreira como esportista profissional, a fim de aumentar o número de meninas interessadas a seguir esse sonho. Além disso, é necessário que grandes empresários realizem ações filantrópicas que visem doar dinheiro para clubes com times femininos, com o objetivo de auxiliar e incentivar essa prática.