A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 20/10/2020
Durante o processo de formação do núcleo familiar, divisão do trabalho e ascensão do sistema capitalista as mulheres foram reduzidas ao papel de “dona de casa”, tendo diversos direitos básicos renegados e gerando atraso social e político em relação à parte masculina da população. Esse cenário não é diferente nos ambientes esportivos do país, onde a desigualdade de gênero no aspecto salarial e o baixo investimento de divulgação e incentivo aos esportes femininos são alguns desafios atuais para inserção das mulheres nesse espaço.
A jogadora Marta Vieira da Silva ganhou destaque na mídia em dezembro de 2015, mês o qual ela superou Pelé em numero de gols, tornando-se a maior artilheira da Seleção Brasileira. Apesar do marco histórico, a jogadora não chega a receber 1% do salário de jogadores como Neymar (segundo O Globo), mesmo apresentando melhores resultados em análises técnicas. Esse problema de desigualdade é comumente relevado pela mídia e ainda mais preocupante em jogos de menor escala e com jogadoras menos conhecidas, sendo o principal desafio para o incentivo ao esporte feminino.
Pode-se ressaltar além disso, que a proibição do atletismo feminino foi abolida apenas em 1979, com o fim da ditadura militar, e 40 anos depois, a partir de 2019 todos os clubes da série A do campeonato brasileiro foram obrigados a terem uma equipe feminina adulta e uma de base, que disputam um campeonato oficial. Os dados do site El país, ressaltam o real atraso e déficit de incentivo e divulgação dos jogos femininos, sem contar com os problemas de hipersexualização e comentários misóginos na mídia.
É necessário portanto, que algumas mudanças sejam feitas visando a valorização das mulheres no esporte, buscando expandir o espaço do Brasil a nível mundial, gerar mais lucros no cenário e incentivar a relação atlética no país. Na questão salarial, é primordial que o Ministério Público do Trabalho, por meio da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) promova regularizações salariais com base no nível esportivo, reduzindo os índices de desigualdade em relação ao gênero e levando em consideração apenas o desempenho profissional. Por fim, o CNE (Conselho Nacional dos Esportes) associado ao Ministério da Cidadania, deve criar campanhas de incentivo aos esportes femininos, buscando aumentar o interesse da população em geral a assistir e divulgar competições regionais, gerando engajamento social e redução do machismo midiático.