A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 20/10/2020
Na obra “Utopia”, do escritor britânico Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na atual realidade social brasileira é o contrário do que o autor prega, uma vez que a valorização e reconhecimento do esporte feminino enfrentam empecilhos que dificultam a a concretização dos planos de More. Dessa forma, é possível inferir que esse cenário antagônico é fruto da negligência por parte dos governantes e pela presença de um imaginário patriarcal e altamente conservador.
Em primeiro lugar, é importante pontuar que o estímulo desigual à prática de esportes influi a permanência de obstáculos para a inclusão feminina. Destarte, é perceptível que ao longo da história a mulher foi amplamente inferiorizada, fato que resulta especialmente da mentalidade patriarcalista. Partindo desse pressuposto, a presença desse tipo de pensamento culmina no processo de hierarquização dos indivíduos dentro de todas as atividades presentes no meio social, uma vez que a imagem da figura feminina passa a ser julgada e colocada em segundo plano, sendo o sexo masculino o principal mecanismos atividades laborais, dessa maneira perpetuando o machismo. Logo é notório que o patriarcalismo enraizado contribui negativamente para o problema.
Ademais, é fundamental analisar que outro fator que vem dificultando a valorização feminina no esporte é a baixa atuação dos setores governamentais. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem estar de um povo, entretanto, isso não se encontra dentro da realidade dos brasileiros. Devido à falta de atuação das autoridades, o esporte feminino sofre baixos investimentos em infraestrutura e na divulgação de equipes esportivas, o que dificulta na criação de uma identidade coletiva pautada na busca por direitos iguais e que impossibilita o despertar de um profundo interesse por parte da população nas atividades praticadas pelas mulheres. Diante disso, é evidente que a negligência governamental dificulta a valorização feminina no esporte.
Portanto, fica claro que a negligência governamental e o patriarcalismo enraizado dificultam a valorização feminina no esporte. Primeiramente, é preciso que as escolas, na condição de agente promotor de discernimento, inclua no seu roteiro pedagógico a realização de debates com profissionais e especialistas na área acerca da importância da participação das mulheres no esporte, com intuito de minimizar a noção preconceituosa. Além disso, o Poder Público, em conjunto com a iniciativa privada, promova projetos sociais voltados à inserção e ao incentivo da figura feminina no ambiente esportivo, por meio de políticas públicas de apoio. Ações como essas são fundamentais para que haja maior reconhecimento e valorização da figura feminina no esporte.