A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 20/10/2020

A Declaração dos direitos da mulher e da cidadã, durante a Revolução Francesa, almejava a inclusão feminina nas mudanças que aconteciam, pregando a igualdade de gêneros. Nesse contexto, o esporte feminino busca os mesmos objetivos, visto que, devido ao machismo e à sociedade patriarcal, é marginalizado e inferiorizado. Desse modo, percebe-se que a falta de assistencialismo público e de investimento privado contribuem para a desvalorização dessa categoria, caracterizando um cenário de desigualdades que necessita ser combatido.

Nessa conjuntura, durante o Estado novo, a prática do esporte feminino foi criminalizado com uma lei que proibia a participação de mulheres em atos que não fossem da sua “natureza biológica”, e apenas descriminalizado em 1979. Nesse sentido, enquanto o esporte masculino era beneficiado com políticas públicas e investimento por parte do estado, a categoria feminina não poderia ocorrer dentro da legalidade. De forma análoga, a desigualdade permanece em pleno século XXI, a exemplo do dinheiro destinado aos atletas de basquete que representam a seleção nacional, sendo o dos homens maior que o das mulheres, o que escancara uma realidade injusta e  desproporcional entre os mesmos.

Ademais, no ano de 2019, a Copa do Mundo FIFA de Futebol Feminino estreou na Globo, sendo televisionada pela primeira vez na maior emissora do Brasil, resultando no interesse de grandes empresas e consequentemente na evolução da competição. Porém, os outros esportes femininos não conseguem alcançar tal visibilidade, visto que não são tão populares como o futebol no país, o que causa a falta de investimento privado, contribuindo para o aumento da desvalorização das categorias femininas de esporte em detrimento das categorias masculinas.

Portanto, entende-se que a valorização do esporte feminino depende do assistencialismo público e do investimento privado. Dessa forma, é necessário que o Ministério da Cidadania aprimore as federações esportivas femininas, por meio de projetos socioculturais e de base, afim de estimular jovens atletas que estão surgindo e as que já foram descobertas. Outrossim, é preciso que o Ministério da Economia incentive o investimento privado nas categorias femininas de esporte, concedendo incentivos fiscais às empresas que investirem, para que haja uma maior visibilidade e desenvolvimento dos desportos femininos.