A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 20/10/2020
Lançado no ano de 2019, o filme “Capitã Marvel” expõe, entre suas narrativas, a falta de estímulo e oportunidades às mulheres que buscam a prática de esportes ou atividades físicas por consequência do predomínio masculino nestas modalidades. Fora da ficção, no Brasil, a valorização feminina nos esportes ainda é insuficiente, havendo uma considerável desigualdade em relação aos atletas do sexo masculino, caracterizando um cenário excludente de caráter sexista. Dessa forma, convém analisar os principais entraves na valorização dos esportes femininos na atualidade, assim como as possíveis medidas para contê-los.
Inicialmente, cabe destacar o baixo investimento em esportes e times femininos quando comparados com os masculinos. Ocorrida no ano de 2018, na Russia, a Copa do Mundo de futebol masculino recebeu um investimento estimado de 400 milhões de dólares em sua organização, enquanto o investimento no Mundial feminino, ocorrido no mesmo ano foi menor que um décimo do citado anteriormente. Dessa forma, percebe-se que a falta de recursos para as atividades femininas representa um empecilho na democratização do acesso aos esportes no Brasil e no Mundo, sendo necessária a criação de campanhas de investimento privado nos principais torneios.
Além disso, deve-se destacar a falta de incentivo na prática do esporte feminino para jovens no Brasil. Sendo o Brasil um dos países de maior valorização do esporte, é esperado que o incentivo às atividades físicas desde a infância seja considerável. No entanto, o que ocorre é a utilização de esteriótipos negativos nesta pauta, o que pode ser evidenciado pela fala da Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, a qual afirmou que meninas deveriam vestir rosa e meninos, azul, sendo esta uma clara apelação aos ultrapassados esteriótipos de gênero, os quais limitam as práticas esportivas aos homens e impedem a inserção das mulheres nas mesmas.
Dessa forma, sendo a desvalorização do esporte feminino um problema de caráter econômico e social no país, medidas são necessárias para combater tal contratempo. Cabe ao Governo Federal, em parceria com marcas e empresas privadas do ramo esportivo, criar fundos de investimento e campanhas de publicidade bem produzidas para os times e campeonatos de futebol feminino. Ademais, é importante que o Ministério da Cidadania, em ação colaborativa com o Ministério da Educação, crie espaços coletivos amplos e bem estruturados destinados a participação feminina de jovens em esportes nas escolas públicas do país. Dessa forma, a desigualdade de gênero será combatida e as modalidades femininas serão mais valorizadas.