A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 20/10/2020
Considerada a maior jogadora de futebol da história, a brasileira Marta já foi eleita melhor jogadora do mundo diversas vezes e é a maior artilheira da história da Seleção Brasileira. Apesar de seus inúmeros êxitos esportivos, ela sofre com a falta de valorização do esporte feminino no Brasil. Dentre as principais causas dessa falta de valorização, pode-se citar a falta de cobertura acerca dos principais eventos nos canais de comunicação e também a histórica falta de incentivo governamental para a sua prática.
Realizada a cada 4 anos, a Copa do Mundo de futebol feminino, principal torneio da categoria, foi transmitida em rede de televisão aberta pela primeira vez em 2019, pela TV Globo, emissora que transmite a modalidade masculina do torneio desde 1970. Sob essa óptica, nota-se que os principais veículos de comunicação preferem os eventos masculinos aos femininos. Decorrente disso, os eventos femininos ficam restritos aos mais populares, como é o caso das Olimpíadas, evento o qual sempre é transmitido, fato o qual resulta em um baixo interesse populacional para com os esportes femininos e sua decorrente falta de valorização.
Além disso, a baixa valorização do esporte feminino também é causada pela histórica falta de incentivo governamental para a sua prática. Esse problema pode ser percebido ao se analisar a proibição da prática de “esportes incompatíveis com a natureza feminina”, baseada em argumentos pseudocientíficos , durante o Estado Novo; prática a qual só foi legalizada novamente em 1979. Logo, em decorrência dessa proibição ter perdurado durante o período de maior crescimento populacional da história do Brasil, é notável a influência da ação governamental na falta de interesse de grande parte da população para com os esportes femininos.
Portanto, a fim de aumentar a valorização do esporte feminino no Brasil, é necessário que o Ministério da Economia conceda benefícios fiscais para veículos de comunicação que transmitirem competições esportivas femininas. Essa ação é de extrema importância para impulsionar o acesso da população a essas modalidades, e, por consequência, aumentar o interesse populacional. Ademais, é vital que o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos desenvolva políticas públicas de incentivo à prática dos esportes femininos, com o foco da ação voltado para a população jovem, de forma a garantir que no futuro o esporte feminino tenha a devida valorização por parte da população brasileira.