A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 20/10/2020
Na Antiguidade, em Atenas, as mulheres eram privadas de participar como competidoras e também como espectadoras dos Jogos Olímpicos, visto que os campeões eram selecionados de acordo com os ideais de força, velocidade, resistência entre outras qualidades atribuídas fisicamente ao sexo masculino, enquanto o sexo feminino era visto como frágil e apto apenas ao âmbito doméstico e familiar. Dessa forma, é possível perceber semelhanças entre o cenário da época com a contemporaneidade, pois, mesmo com avanços na aquisição de direitos e cidadania da mulher, essas ainda sofrem com a desvalorização e o preconceito, em especial no âmbito esportivo, principalmente devido a exclusão midiática e à falta de recursos e investimentos.
“As mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza” o artigo 54 do Decreto-lei 3199 de 1941 demonstra o preconceito sobre o sexo feminino, no qual de forma determinista impõe características de fragilidade e submissão a esse. “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher” a citação da socióloga Simone Beauvoir refuta as “condições de natureza " expostas no artigo, visto que a mulher ao longo de vários anos se tornou uma construção social de ser, impondo características fora de sua natureza e alimentando o machismo enraizado que perdura até a atualidade, privando e dificultando as mulheres de exercerem seus direitos e desenvolver um cenário desportivo feminino em equidade com o masculino.
Além disso, a mídia desempenha, também, um papel negativo na valorização da participação feminina no esporte, visto que é indiscutível a visibilidade que esse possui na sociedade contemporânea, porém, ao se analisar e comparar a exposição dos campeonatos de ambos os gêneros, percebe-se uma grande desproporção na qual enquanto o masculino é explorado desde cenários regionais, o feminino se mantém excluso. Nessa conjuntura, percebe-se o impacto que a mídia possui sobre o desenvolvimento das mulheres desportivamente, visto que caso houvesse uma maior visibilidade e exploração do cenário feminino, haveria a atração de investimentos externos e o reconhecimento popular.
Portanto, o Governo Federal deve, por meio do Ministério da Cidadania e do Ministério da Educação, promover nas escolas atividades esportivas de engajamento e conscientização dos jovens, valorizando a igualdade de gênero e por consequência combatendo o preconceito contra mulher no âmbito do esporte. Além de, fornecer verbas para o investimento nacional do cenário e disponibilizar um canal televisivo aberto, para fomentar a visibilidade e a atração de investimentos estrangeiros no esporte feminino.