A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 20/10/2020

No limiar da Grécia Antiga, a maior parte das mobilidades esportivas era composta apenas por times do sexo masculino, devido à crença de que as mulheres ficariam masculinizadas devido aos esforços físicos, além de considerarem que elas não tinham condições físicas para a prática de esportes devido à sua “natureza”. Dessa forma, no contexto social brasileiro, a proibição da participação feminina no mundo esportivo só foi abolida em 1979, no final da ditadura governada pelos militares. Observa-se portanto, a desvalorização do esporte feminino no País, movida principalmente por entraves socioculturais decorrentes de uma sociedade patriarcal, além da falta de incentivo nos primeiros anos de vida para a inserção no esporte.

É primordial ressaltar que o Brasil, durante 21 de sua história, viveu no regime ditatorial, protagonizando diversas cenas de inferioridade e submissão feminina, principalmente nos primeiros anos. Exemplo dessa prática no meio esportivo está no artigo 54 do Decreto-lei 3199, de abril de 1941, no Estado Novo de Getúlio Vargas, onde é proibida a prática de desportos incompatíveis com as condições de natureza das mulheres. Inegavelmente, em decorrência de um passado marcado pela opressão do sexo feminino, a área esportiva ainda possui um desfalque enorme, e pouca visibilidade, já que muitos ainda possuem o pensamento enraizado do período da Ditadura brasileira em relação à participação feminina em áreas consideradas “para homens”, decorrentes de uma corrente sociocultural baseada no patriarcado.

Em decorrência disso, há a falta de incentivo para a inserção de mulheres jovens no mundo do esporte, que procure desmistificar os ideias de inferioridade feminina, que por muitos anos se fez presente no Brasil e em outros países do mundo. A exemplo, segundo o relatório “Movimento é vida”, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a prática de exercícios físicos por mulheres no País é 40% inferior aos homens. Com isso, há a necessidade de inserir mais mulheres no esporte brasileiro, a fim de diminuir esta porcentagem.

Evidencia-se portanto, há necessidade da valorização do esporte feminino no Brasil, que busque erradicar com as discriminações de gênero dentro das atividades desportivas. Faz-se necessário que a Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania incentive a criação de projetos sociais voltados para a inserção feminina no esporte, bem como, com o auxílio do MEC, inclua programas sociais para jovens de escolas públicas, voltadas para o incentivo ao desporte feminino. Com isso, mais pessoas enxergariam a necessidade de valorização do esporte feminino, e ajudariam a acabar com os “padrões” socioculturais e patriarcais de inferioridade feminina devido à sua “natureza”.