A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 20/10/2020
Durante o período de ditadura militar, que durou de 1964 até 85, era lei que mulheres não poderiam praticar “desportos incompatíveis com as condições de sua natureza”. Essa legislação, cunhada em pensamento misógino, é exemplo tanto da repressão quanto da desvalorização que as mulheres sofreram e até hoje sofrem no Brasil por conta dos modos de pensar ultrapassados que causam insegurança e falta de incentivo no meio esportivo.
Assim como em todas as outras áreas da vida, pessoas do sexo feminino sofre com a insegurança nos esportes, sendo vítimas de julgamentos ou até possíveis agressões físicas ou verbais. Nesse contexto, por exemplo, no final do Campeonato Mineiro de 2009, a assistente de arbitragem Katiúscia Mayer foi alvo de xingamentos e ofensas que questionavam sua competência como profissional. Dessa maneira, esses casos desencorajam fortemente pessoas que tem o potencial para serem atletas mas têm medo dos desafios.
Ademais, quando Simone de Beauvoir disse, em 1949 no livro “O Segundo Sexo,” que “não se nasce mulher, torna-se”, a autora denuncia com precisão algo que já é prevalente na humanidade há séculos: o processo de opressão que mulheres sofrem desde o nascimento, no intuito de modelar seus pensamentos e atitudes para que se encaixem no padrão aceito pela sociedade. Nesse sentido, há uma grande falta de incentivo nas para que meninas persigam a carreira de atletas, e isso acontece justamente pois a noção de força, resistência e treinamento pesado que é atribuído ao atletismo não combina com o padrão pelo qual as mulheres são vistas socialmente.
Tendo em vista como a misoginia na cena esportiva afeta negativamente a moral tanto de profissionais como de aspirantes, é importante que o Ministério da Educação organize palestras e aulas demonstrando exemplos de mulheres que marcaram a história do esporte com o intuito de atrair e incentivar jovens meninas para uma possível carreira de atleta. Além disso, os órgãos e instituições responsáveis por torneios e grandes eventos, como as olimpíadas, devem penalizar mais severamente pessoas que realizarem agressões machistas contra mulheres.