A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 20/10/2020

No filme “Ela é o cara”, a personagem Viola é uma excelente jogadora de futebol mas sempre é impedida de jogar devido ao preconceito de que mulher não pode ser tão boa quanto homem. Dessa forma, a protagonista se disfarça para alcançar seu objetivo, provando a todos que mulheres são boas esportistas. Fora da ficção, como consequência de uma cultura patriarcal e em grande parte misógina, o esporte feminino não é valorizado no Brasil da mesma forma que o esporte masculino. Nesse  cenário, a desigualdade de gênero e o descaso da mídia relacionado ao assunto agravam a situação atual.

A priori, é imprescindível destacar que, durante a Era Vargas, as mulheres foram proibidas de jogarem futebol devido ao respeito das condições de natureza femininas, pelo Decreto-lei 3199 de abril de 1941. Isso ocorreu pois existem crenças tradicionais que prescreviam que o cansaço físico e a competição, derivados da prática do esporte, eram contrários à natureza da mulher que deveria ficar em casa tomando conta dos filhos e dos afazeres domésticos. Desta maneira, a consequência dessa visão do Governo e da sociedade acarretou em marcas profundas, como a desigualdade de gênero, a qual impede a mulher brasileira de desfrutar todos os seus direitos, como por exemplo, praticar esportes sem sofrer preconceitos ou escutar piadas opressoras e machistas.

Outrossim, vale destacar a negligência da mídia em relação ao esporte feminino. Apenas no ano de 2019,  a Rede Globo, maior emissora televisiva do Brasil, transmitiu pela primeira vez uma Copa do Mundo feminina de futebol, além disso, muitos dos principais campeonatos dos esportes femininos não são transmitidos à população. Desse modo, o menosprezo dos meios de comunicação afeta diretamente o apoio recebido por essas atletas, tendo em vista que, devido à baixa visibilidade que elas recebem, a oferta de patrocínios é bastante reduzida.

Diante desse panorama, faz-se necessária a tomada de medidas ao entrave abordado. Portanto, cabe ao Governo Federal em parceria com o Ministério da Educação, criar  projetos que amplifiquem a ascensão da mulher nos meios esportivos, por meio de rodas de debate durante as aulas de Filosofia e Sociologia que tratem sobre a inclusão, com o objetivo de aumentar o criticismo nos alunos e de fornecer notoriedade a essa causa. Ademais, é mister que o Ministério da Cultura juntamente com o Poder Midiático, desmistifique os esteriótipos relacionados a mulher no esporte, por meio da transmissão igualitária de campeonatos femininos e masculinos, além de incentivar o atletismo feminino com o intuito de elevar a taxa de atletas femininas. Pois somente assim, mulheres cientes de seus direitos irão ter mais visibilidade dentro do mundo esportivo, logo, quebrando o tabu existente.