A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 20/10/2020
No livro “Sejamos Todos Feministas” de Chimamanda Ngozi, é retratado um futuro utópico em que a humanidade evolui, mas as ideias de gênero ainda persistem, sendo esse o motivo do incomodo social. Nesse sentido, a narrativa foca em descrever como a problemática afeta o público feminino em diversos segmentos, tal como, na inclusão de mulheres no cenário esportivo, onde diariamente as mesmas são pauta de debates de gênero e alvo de desconfiança quanto a sua credibilidade, sendo indicadas como inferiores aos homens quanto ao seu desempenho em atividades físicas. Analogamente, o fato apresentado por Chimamanda mostra situações que divergem entre continentes, mas que, em geral, ainda prevalecem na esfera social, sejam elas, por uma ideologia sustentada pelo imaginário coletivo ou a falta de investimentos.
Convém ressaltar, primeiramente, que o maior motivo do esporte feminino não ser tão grande quanto o masculino foram as vedações impostas às mulheres durante muitos anos. Getúlio Vargas, por exemplo, durante o Estado Novo, sancionou um Decreto-lei que proibia a prática de qualquer esporte às pessoas do sexo feminino. Atualmente, no entanto, ainda que essa lei tenha sido há muitos anos, ainda existe preconceito contra mulheres que decidem seguir a carreira esportiva. Referido preconceito decorre da lógica de que ser uma atleta não condiz com as atribuições femininas e com o papel da mulher na sociedade, pensamento este reproduzido e ensinado por muitas famílias brasileiras.
Somado a isso, vale recordar o episódio da Copa do Mundo feminina, ocorrida em 2019, no qual a maior artilheira da Seleção Brasileira, a jogadora Marta, usou durante o jogo uma chuteira de cor preta sem qualquer patrocínio, apenas com o símbolo da igualdade azul e rosa estampado. Ela tomou essa iniciativa com o propósito de fomentar as discussões acerca da igualdade de gênero no esporte, bem como reclamar pelo patrocínio de grandes marcas, que pagam valores menores às jogadoras femininas, e incentivar maiores investimentos no esporte feminino.
Fica evidente, portanto, que são necessárias atitudes para reverter a problemática apresentada. Para isso, é preciso destacar a importância da abordagem igualitária nas escolas durante as aulas de sociologia e a promoção da prática esportiva pelas meninas nas aulas de educação física. Além disso, o Governo Federal, em conjunto com a mídia e por meio de propagandas, deverá fomentar campanha de incentivo às mulheres que jogam, bem como promover a produção de programas que conscientizem e desmistifiquem o pensamento de que a mulher que pratica esportes é menos feminina. Dessa forma, será possível desconstruir os preconceitos que se encontram enraizados na sociedade e as pessoas do gênero feminino começarão a ter sua profissão valorizada da forma que merecem.