A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 20/10/2020

Em 776 a.C., na Grécia antiga, houve a criação das Pantéias, atividades esportivas de cunho religioso, que foram a origem das primeiras olimpíadas. No entanto, apesar de ser atualmente universal, o evento era voltado apenas para a população masculina, uma vez que as mulheres não possuíam autonomia política nem econômica. No Brasil contemporâneo, a falta de valorização do esporte feminino, devido ao preconceito, vindo de crenças sociais patriarcais, junto à escassez de incentivo, dificulta a construção de uma sociedade igualitária.

O Conselho Nacional de Desportos, em 1965, criou uma lei que proibia a prática de esportes, como basquete e futebol, para mulheres, sob o pretexto de serem incompatíveis com as condições físicas naturais femininas. Logo, é possível perceber que a existência de um julgamento arcaico e patriarcal, exclui mulheres de atividades universais, e prejudica a inserção feminina no meio esportivo, e consequentemente, a valorização de modalidades exercidas por mulheres.

Além disso, a carência de estímulo aos times oficiais femininos existentes, por meio da falta de visibilidade promovida pela mídia, contribui para agravar a problemática. A Copa do Mundo Feminina de Futebol, ocorrida em 2019, não foi noticiada, tampouco acompanhada pelos jornais esportivos brasileiros. Situação extremamente oposta à da Copa Mundial de Futebol, no ano de 2018, na qual a seleção masculina foi regularmente seguida e apoiada por todos os meios de comunicação. Com isso, é possível notar que a negligência quanto a visibilidade conferida ao time de futebol brasileiro feminino, reflete a desigualdade existente na sociedade. A prática esportiva, no Brasil, está além de uma mera recreação, sendo parte da identidade do país.

Desse modo, é evidente que a desvalorização do esporte feminino é uma dificuldade que precisa ser superada. Para isso, é necessário que o Ministério da Educação, por meio das secretarias de educação de cada estado, promova atividades e campeonatos esportivos voltados ao público feminino, bem como palestras ministradas por atletas, com o objetivo de incentivar as mulheres a buscarem a prática esportiva e sanar antigos preconceitos. Ademais, é preciso que o Governo Federal, por meio da CONAR, inicie a veiculação de maiores informações sobre o esporte veiculado a mulher, nos jornais e televisão, para, assim, buscar promover uma maior valorização do esporte feminino no Brasil.