A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 20/10/2020

Durante a década de 40, no governo do presidente Getúlio Vargas, o Brasil passava por um retrocesso no qual vetava, por lei, a participação de mulheres no esporte. De forma análoga na contemporaneidade, apesar da abolição desse decreto, a inserção do gênero feminino nas práticas esportivas ainda é um desafio, passando por alta desvalorização e preconceito. Nesse sentido, tem-se como principais agravantes dessa problemática a falta de investimento no setor, além do preconceito refletido nas praticantes do esporte.

É importante destacar, de início, a falta de investimento no setor como um grande empecilho na solução desse cenário. Segundo a pesquisa feita pela Gazeta Esportiva, no ano de 2018, a Fifa destinou cerca de quatrocentos milhões de dólares para o torneio masculino, enquanto o feminino recebeu menos de um décimo desse valor. Dessa maneira, nota-se grandes impactos causados por esse investimento desproporcional, como o déficit publicitário, que diminui o possível público dessa modalidade, além da baixa realização de campeonatos oficiais, ambos fatores que prejudicam o esporte feminino e impedem que a equidade entre os gêneros seja alcançada.

Além disso, outro ponto importante a ser destacado é a questão do preconceito enraizado e o seu papel na perpetuação da problemática exposta. Parafraseando a poeta estadunidense, Maya Angelou, ao dizer que “O preconceito é um fardo que confunde o passado, ameaça o futuro e torna o presente inacessível.” torna ainda mais evidente o fato do preconceito ser um obstáculo na conquista feminina pela valorização esportiva, uma vez que isso afasta patrocinadores, público, além de inibir futuras profissionais.

Portanto, visto que a valorização do esporte feminino no Brasil ainda é uma meta a ser alcançada, faz-se necessário a atuação do Conmebol no aumento da participação feminina no esporte por meio da ampliação numérica de campeonatos femininos, tornando-o mais comum e, consequentemente, mais valorizado. Além disso, é papel da Federação Internacional de Futebol redirecionar os investimentos aos torneios femininos, diminuindo, assim, a disparidade esportiva entre os gêneros e abrindo possibilidades para a inserção de mais profissionais femininas.