A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 20/10/2020

Em abril de 1941, no governo Vargas, o artigo 54 do Decreto-lei 3199 proibia a modalidade feminina de futebol se baseando em argumentos supostamente científicos a respeito das “condições de natureza” das mulheres, enquanto a modalidade masculina funcionava de forma profissional há quase uma década e a seleção já havia participado de três Copas do Mundo. Após a abolição da proibição, em 1979, a presença feminina no esporte vem se tornando cada vez maior em todas as modalidades, porém o preconceito contra atletas e profissionais da área ainda é muito presente. Logo, para haver uma maior valorização do esporte feminino no Brasil, cabe quebrar esse preconceito enraizado e aumentar a visibilidade dessas atletas.

O profundo preconceito enraizado na sociedade é um dos fatores sociais contribuintes para a pouca valorização do esporte feminino, se baseando na ideia do esporte ser limitado somente aos homens e que o lugar da mulher é no espaço doméstico. A socióloga Nathália Ziê diz que “O universo dos esportes é muito masculino, e muitas vezes nós mulheres não somos levadas a sério. O mundo do futebol, por exemplo, é masculinizado e reproduz o machismo, porque se pauta pelo sistema patriarcal. Tudo isso são fatores que impossibilitam uma projeção maior e aceitação do que as mulheres tem se proposto a fazer no esporte”.

As partidas femininas não apresentam um grande lucro, consequentemente não podem oferecer altos salários. A situação ocorre por conta da falta de público, consequência da baixa divulgação nos meios de comunicação, e pela falta de apoio empresarial, pois os patrocinadores só investem naquilo que garante grande retorno financeiro. Além disso, ocorre o descrédito de sua habilidade apenas pelo seu gênero, sendo um bom exemplo o da jogadora Marta, que em dezembro de 2015, passou Pelé e se tornou a maior artilheira da Seleção Brasileira, com 98 gols.

Com o objetivo de valorizar ainda mais o esporte feminino no Brasil, o Governo Federal, por meio Ministério da Educação, pode criar propagandas conscientizando a população sobre a igualdade de gênero, incentivar a prática do esporte feminino nas escolas e criar disciplinas curriculares que enfoquem a participação feminina nos esportes. Além disso, os canais televisivos abertos poderiam divulgar e transmitir os jogos em suas grades de programação, possibilitando um maior número de espectadores.