A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 25/10/2020

No carnaval carioca de 2020, a escola de samba Inocentes de Belford Roxo levou à avenida Marquês de Sapucaí um enredo de homenagem a Marta, jogadora, capitã da seleção brasileira de futebol feminino e eleita 5 vezes como a melhor do mundo pela FIFA. Paralelo a isso, mesmo diante das grandes vitórias, o esporte feminino enfrenta vários adversários, dentre eles, o preconceito e o desamparo. Desse modo, é necessário analisar os possíveis caminhos para a valorização do esporte feminino no Brasil.

Em primeiro lugar, é preciso observar a questão de maneira pragmática. Durante o desenvolvimento do enredo, a escola de samba conta a infância pobre de Marta e explana o preconceito sofrido pela atleta quando teve de jogar com a equipe masculina nas categorias de base pois não existia time feminino. Seguindo essa linha de pensando, na prática, isso é refletido de acordo com a pesquisa do site “Observatório racial futebol” que mostra que em quase 60 anos de olimpíadas, até 2016, o número de mulheres cresceu apenas 36% na competição. Os dados refletem a inferiorização feminina no esporte, que muitas vezes obriga meninas a desistirem do sonho de jogar bola

Ademais, é notório a face da desigualdade em relação ao impasse. Segundo o sociólogo Lev Vygotsky, a desigualdade na voz condena pessoas, grupos e até países à inexistência. Sob tal ótica, é evidente o abismo salarial existente entre homens e mulheres em todos os ramos, inclusive no esporte. Um exemplo disso é o vôlei, onde o prêmio em dinheiro destinado a seleção masculina é maior do que o da feminina, na mesma competição. Com isso, os recursos destinados as mulheres são insuficientes e inferiores, mesmo para times já consagrados, o que reflete na falta de equipamento, local de qualidade para treinos, e evidencia o abandono e desamparo das equipes femininas. Dessa forma, destaca-se que o esporte é apenas uma parcela do preconceito e inferiorizacão sofrida pelas mulheres diariamente.

Logo, evidencia-se que a valorização do esporte feminino é incompatível com o preconceito e o desamparo, e, em prol de tornar o esporte mais justo e igualitário, medidas são necessárias. Para tanto, é dever do Estado, na figura do Ministério da Educação, em parceria com as Secretarias de Esportes de cada unidade federativa, a implantação de projetos como “Bom de bola, bom de escola” a fim de possibilitar o incentivo à prática esportiva na infância pelas meninas para que esse hábito se mantenha na vida adulta. Outrossim, clubes brasileiros como São Paulo, Flamengo, dentre outros, devem equiparar os recursos entre as equipes masculina e feminina dentro dos clubes, além de igualar os salários com o objetivo de dignificar as esportistas.