A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 03/11/2020

O ser em destaque na obra “O Grito”, do artista norueguês Edvard Munch, parece experimentar extremo desconforto e pânico diante do desconhecido. Essa representação vai de encontro à ausência do sentimento de estranhamento social diante da desvalorização do esporte feminino, já que, contrário à personagem, a sociedade não mais se espanta, sendo indiferente diante da não compreensão do problema. Assim, entre os fatores que contribuem para aprofundar a realidade, destacam-se o conservadorismo presente nas famílias e a manipulação midiática.

Em primeiro plano, é fundamental destacar que a transmissão de valores conservadores de geração a geração favorece a manutenção da desigualdade na esfera desportiva. Isso decorre da reprodução de valores tradicionais, herdados de um passado histórico marcado pelo patriarcalismo, por parte das instituições familiares, que atuam como um centro de transmissão de preconceitos enraizados na sociedade. Como consequência, há a reiteração do pensamento de que a mulher deve estar incumbida somente aos serviços domésticos, proibida de exercer a sua liberdade, por exemplo, na prática de atividades esportivas, resultando na desigualdade de gênero nesse âmbito.

Ademais, as influências negativas exercidas pela mídia corroboram a depreciação feminina no esporte. Nessa perspectiva, ainda no século XX, a Escola de Frankfurt afirmava que a ciência e a tecnologia estavam sendo usadas como forma de dominação e alienação da consciência humana por meio do marketing. De maneira análoga, a mídia, tomada pelo ideal de lucratividade, ao divulgar e cobrir predominantemente os eventos esportivos masculinos - que têm maior visibilidade e geram, consequentemente, mais lucro -, em detrimento dos femininos, difunde a noção de que o homem é mais capacitado para o exercício de tais atividades. Desse modo, a sociedade se torna alienada e ocorre a desvalorização das mulheres na prática desportiva.

Portanto, medidas exequíveis são necessárias para combater o avanço da problemática no país. Assim, é imprescindível que o Estado, por meio do Ministério da Educação - instância máxima que regula os sistemas de ensino -, promova reformas no setor educacional, investindo na contratação de profissionais qualificados e em uma educação voltada para a formação social dos indivíduos, de modo que haja a disseminação de valores acerca da igualdade de gênero no esporte, a fim de superar o conservadorismo presente nas famílias tradicionais e valorizar a prática esportiva feminina. Além disso, a sociedade deve, por meio de movimentos sociais, cobrar da mídia uma postura de isonomia entre homem e mulher na abordagem de assuntos relacionados à questão desportiva. Logo, a coletividade deixará de ser indiferente, contestando a situação problema assim a personagem da obra de Munch.