A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 19/11/2020
O incentivo a prática de esportes é um direito assegurado no artigo 217 da Constituição Federal de 1988. Além de um direito garantido pelo Estado, é dever individual promover o enaltecimento do esporte independente do gênero, o que é analisado historicamente essencial para a transformação e o progresso de uma sociedade. Entretanto, observa-se o desrespeito a essa garantia quando o esporte feminino não é valorizado no Brasil, muitas vezes pelo preconceito, a falta de visibilidade midiática e de investimentos adequados.
Primeiramente, é válido destacar o contexto sócio-histórico brasileiro como agravante da problemática. Desde a colonização portuguesa, o modelo de família que se formou foi o modelo patriarcal, -homens permanecem no domínio da família e mulheres submissas-. Tal composição limitava as mulheres ao papel de servas do lar, reverberando para a sociedade atual preconceitos e julgamentos quando a mulher decide seguir um caminho diferente como o esporte. Assim, os esteriótipos construídos limitaram a figura feminina e consequentemente não permitiram a legitimação devida de suas participações no mundo esportivo. Dessa forma, não é razoável que a sociedade contemporânea mantenha posturas arcaicas e machistas que atrasam o progresso nacional.
Além disso, nota-se que a falta de visibilidade midiática e de investimentos dificultam a valorização do esporte feminino. Segundo um levantamento realizado pelo Unisinos, apenas 2,7% da cobertura da mídia no país é voltada ao esporte feminino, 37 vezes menos que o esporte masculino. Sendo assim, é inegável que a mulher permanece em espaço privado no esporte, pois a divulgação de sua prática é relegada a mínima parcela de páginas esportivas reforçando para a sociedade que a participação esportiva feminina não é importante e não merece atenção. Ademais, a desigualdade na distribuição de dinheiro para a manutenção dos times femininos em relação aos masculinos prejudica a inserção de novas atletas e ameaça a instabilidade das que já estão lá. Desse modo, as mulheres que sonham com um futuro profissional no esporte esbarram em um completo descaso.
Portanto, para que haja efetivamente a valorização do esporte feminino no Brasil, o Ministério do Esporte em parceria com a mídia deve criar campanhas para informar e conscientizar toda à população. Isso deve ser feito por meio da exibição pelos meios de comunicação de propagandas e entrevistas de mulheres que fazem do esporte suas profissões, nas quais serão expostas relatos detalhados para frisar a necessidade de desconstrução de conceitos estabelecidos de maior investimentos, visibilidade e principalmente de incentivar a encorajar meninas seguirem carreiras esportivas. Logo,o artigo 217 da Carta Magna será cumprida de forma factual.