A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 07/12/2020

A ascensão do futebol na Inglaterra, durante o século XVIII, exemplifica o caráter político e social do esporte, ao passo que a disputa pelos times de operários - Manchester United - e o de burgueses - Manchester City - cunhava a única ponte de socialização entre ambas as classes. Analogamente, no atual cenário brasileiro, o desporto permanece sendo espelho da cultura e expressão do povo. Dessa forma, a péssima valorização do desempenho esportivo feminino nada mais reflete do que a permanência do machismo no país. Nesse sentido, seja pela ausência de visibilidade ou pelo pouco incentivo dos clubes, a presença mulheril nos jogos é incipiente e, por isso, requer cuidados.

Previamente, é necessário salientar a pobre referência de símbolos femíneos no desporte. À medida que casos de jogadoras competentes são invisibilizados pela mídia, as menores crescem com a convicção de que as atividades físicas são designadas ao gênero masculino. Assim, o discurso machista de separação de ofícios pelo sexo é perpetuado, principalmente pela baixa perspectiva de casos divergentes. Prova disso é a jogadora nacional Marta, que mesmo após passar o artilheiro Pelé em número de gols, não recebe tanto reconhecimento quanto deveria. Segundo a filósofa Simone de Beauvoir, em sua obra “O segundo sexo”, o meio público sempre foi negado à mulher, primordialmente pelo mito de sexo frágil. Desse modo, no objetivo de exterminar tal mazela, ofertar exemplos é crucial.

Ademais, o escasso apoio dos times às atletas mulheris denigre mais a presença dessa minoria no esporte. Dessa maneira, conforme o futebol feminino foi proibido no Estado Novo, por Getúlio Vargas, o entrave excludente femíneo permanece até hoje nas competições nacionais. Sob essa ótica, além de salários mais baixos, a pouca seleção para participação nos clubes oficiais e a pequena quantidade de disputas revela a lenta melhora de parâmetros pelos órgãos esportivos. De acordo com dados da Observatoria Nacional, até os anos 2.000 apenas 34% dos jogos tinham participação feminina. Logo, alçar mudanças dentro das ligas desportivas faz-se essencial para fortalecer a presença feminina.

Portanto, ações são indispensáveis para valorizar as competições femíneas. Nesse viés, promover a igualdade quantitativa de disputas esportivas femininas e masculinas, por meio de uma ementa legislativa feita pelo Congresso Nacional que pressione os clubes a realizarem um número de jogos iguais, é essencial a fim de inserir mais mulheres nas seleções oficiais. Outrossim, a exibição de tais competições em rede nacional, por intermédio de iniciativas publico-privadas entre o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e empresas midiáticas, é mister no intuito de oferecer visibilidade e remuneração às atletas. Para isso, subsídios do SuperMinistério da Cidadania poderiam ser ofertados aos canais. Assim, o cunho político do esporte também se estenderá as mulheres.