A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 03/11/2021
A Constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 5°, o direito à igualdade como inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, na prática, essa prerrogativa não é efetivada, haja vista que, segundo o jornal BBC, a valorização do esporte feminino é posto à margem social por causa da persistente desigualdade de gênero. Esse cenário nocivo ocorre não só devido à passividade do corpo civil, mas também em razão de políticas públicas ineficazes.
Nesse sentido, é válido destacar o alheamento da sociedade em exigir a igualdade de gênero no âmbito esportivo. Nessa lógica, consoante dados do jornal CNN, a artilheira da Seleção Brasileira, Marta, eleita seis vezes a melhor do mundo, recebe apenas um por cento do salário pago a Neymar, ambos jogando pela Seleção do país. À vista disso, observa-se que, se os cidadãos reivindicassem direito iguais, independente do sexo biológico, a fim de valorizar o esporte feminino, não haveria essa discrepância no esporte, materializada em salários absurdamente desiguais. Dessa maneira, nota-se que, infelizmente, a omissão do corpo civil em impor sua voz para eliminar a permanência da mulher à margem da sociedade é fator significativo para a manutenção das diferenças entre gêneros no esporte brasileiro.
Além disso, é imprescindível salientar a omissão da esfera pública em exercer ações que reduzam as mazelas sociais. Nessa perspectiva, segundo o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, o teste de moralidade do Estado é como ele lida com os problemas sociais, a fim de preservar o bem-estar. Diante disso, conforme dados do jornal BBC, não existe ação governamental que obrigue as empresas esportivas a conceder de forma equânime salários e visibilidade às mulheres no espaço esportivo. Percebe-se, assim, que o alheamento estatal mostra-se como uma atitude pouco moral ao reconhecimento do esporte feminino para a sociedade e, por consequência, há a continuidade dos abismos sociais pautados nas relações de gêneros.
Verifica-se, portanto, a necessidade de romper esse quadro danoso. Para isso, cabe à população, órgão imprescindível para reivindicar mudanças sociais, por meio de protestos pacíficos, lutar pela igualdade social da mulher, a fim de valorizar o esporte feminino brasileiro e de reduzir a desigualdade de gêneros. Paralelamente, o governo federal deve, por intermédio de leis vigentes, impor às empresas esportivas, a unanimidade em salários e em visibilidade entre homens e mulheres, com o objetivo de enaltecer o trabalho esportivo feminino de maneira igualitária ao masculino. Dessa forma, será possível a construção de uma nação moral aos moldes de Bonhoeffer e que repreenda a manutenção de diferenças relacionadas ao sexo biológico.