A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 16/01/2021

Na série “Atypical”, Cassey é uma jovem corredora que consegue uma bolsa de estudos através do seu excelente desempenho como atleta. Depois de sua conquista, Cassey se sente muito realizada e valorizada. Infelizmente, essa realidade destoa da brasileira, tendo em vista o enorme desprezo da sociedade perante a participação feminina nos esportes. Tal problemática é causada, principalmente, pelo machismo estrutural que, ao impor padrões de beleza preconceituosos às mulheres, acarreta numa desistência dessas no atletismo.

Em primeira análise, o machismo estrutural impede o protagonismo feminino no setor atlético. Isso ocorre porque a sociedade brasileira - que é extremante patriarcal- caracterizou as meninas como frágeis e fracas, tornando-se incabível a ideia de que essas praticassem esportes brutos e perigosos. Essa problemática já podia ser indentificada nos quadros do pintor impressionista Edgar Degas que, no século XIX, retratava constantemente a delicadeza de um dos poucos esportes considerados apropriados às mulheres: o ballet. Desse modo, enquanto esse for o cenário vigente no Brasil, mais garotas serão segregadas do atletismo por causa dessa designação preconceituosa.

Por conseguinte, essas imposições machistas causam uma grande desistência feminina dentro do atletismo. Na conjuntura brasileira atual, o pensamento de Simone de Beauvoir materializa-se: o homem estabelece padrões à mulher a fim de inferioriza-la. Sob essa ótica, é imposto às meninas, desde de pequenas, que o corpo delas deve ser delicado, e para que isso ocorra, elas devem afastar-se de muitos dos esportes que possam vir a realçar seus músculos e masculinizar sua forma. Assim, enquanto esses ideais sexistas forem a realidade, mais jovens terão que desistir de seus exercícios físicos para agradar a sociedade.

É evidente, portanto, que a participação feminina nos esportes não é valorizada pela sociedade por causa do machismo. Logo, a fim de conscientizar a população sobre a importância da inclusão de mulheres no atletismo, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos humanos, por meio das redes sociais- principalmente aquelas mais populares como o Instagram, o Twitter e o Facebook- promover posts e artigos que alertem sobre o perigo da masculinização dos exercícios físicos e que incentivem mais meninas a serem corporalmente ativas. Apenas assim, o Brasil caminhará para um cenário semelhante àquele vivido por Cassey na série televisiva “Atypical”.