A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 07/03/2021

Segundo a filósofa existencialista Simone de Beavouir, “Não se nasce mulher, torna-se”. Tal afirmação, proferida em meados do século XX, aborda sobre a construção de gênero no corpo social e como ela pode interferir na nossa vida em diversos aspectos, inclusive no esporte. Nesse sentido, é visto que, na sociedade brasileira, ainda há muitos entraves para a igualdade entre os sexos no meio desportivo, no qual a mulher é frequentemente desvalorizada. Esse cenário nefasto ocorre em razão do preconceito enraízado culturalmente, tendo como consequência a falta de investimento no esporte feminino. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura, a fim de combatê-la.

Em primeiro plano, vale destacar que, durante a Ditadura Militar, ocorrida no país de 1964 a 1985, existiu um decreto no qual as mulheres eram proibidas de participar de eventos desportivos, por serem consideradas fisicamente mais frágeis. Assim, podemos observar que a sociedade tupiniquim sempre foi baseada em padrões patriarcais, tal fato que se refletiu no esporte. Dessa forma, hodiernamente, ainda há muito preconceito nesse setor social, o que faz haver uma inferiorização das atletas brasileiras, reflexo de uma comunidade nacional regida pelo machismo.

Consequentemente, essa discriminação acarreta a falta de investimento no desporto feminino. A Constituição Federal de 1988 estabelece que o esporte é um direito de todos, no entanto, é notório o quanto os homens são mais valorizados nesse setor pela sociedade. Essa condição pode ser vista na falta de incentivo do esporte feminino escolar, na diferença salarial entre os atletas homens e mulheres e na visibilidade dada por veículos midiáticos, como a televisão, nos quais o esporte masculino sempre ganha mais espaço. Sendo assim, perpetuada a diferença de gênero aplicada aos desportistas no Brasil.

Portanto, tendo em vista a gravidade e a extensão da problemática, medidas são necessárias para incentivar a valorização do esporte feminino. Então, cabe ao Ministério da Educação reduzir essas diferenças de gênero, por meio de projetos que busquem equiparar as oportunidades entre crianças e jovens, estimulando o ingresso de mulheres em setores ditos anteriomente exclusivamente masculinos, a fim de combater o preconceito construído culturalmente. Por fim, espera-se que os moldes existencialistas proferidos por Simone de Beavouir, no que tange às desigualdes de gênero, sejam mitigados.