A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 23/06/2021

O artigo 54, da constituição de 1941, proibiu às mulheres a prática de desportos que não eram compatíveis com as condições de sua natureza. No contexto atual, apesar de essa lei não mais existir, e a participação da mulher no esporte ser permitida, ela ainda é desvalorizada e desrespeitada, colocando os homens como superiores a elas. Assim, é necessário debater acerca da falta de visibilidade e patrocínio, e o preconceito que sofre o esporte feminino.

Em primeira análise, é notória a falta de divulgação das jogadoras e do esporte praticado por elas, comparado com a do esporte masculino. Por esse motivo, o patrocínio à elas também é menor, muitas vezes inexistente, como o caso da jogadora de futebol brasileira Marta, 6 vezes a melhor jogadora do mundo, que, no campeonato mundial em 2019, jogou sem nenhum patrocínio. Então, a falta de patrocínio, ocasionada pela falta de visibilidade, acarreta dificuldade de se manter no esporte e participar de campeonatos, o que corrobora pela permanência do problema.

Além disso, o preconceito enraizado na sociedade contribui de forma significativa para a falta da valorização da mulher no esporte. Em entrevista ao Estadão, Karen Jonz, tetracampeã mundial de skate, conta que, muitas vezes, foi impedida de se inscrever em competições simplesmente por ser mulher, e que, por esse motivo, começou a se vestir igual a um menino. Assim, fica evidente a desigualdade entre os gêneros, mostrando que a mulher é vista como inferior ao homem, taxada de frágil e delicada, formas que são atribuídas a elas desde as primeiras civilizações.

Verifica-se, então, a necessidade de mostrar para a sociedade a importância das mulheres no esporte. Diante disso, cabe às instituições de ensino promover, às crianças e adolescentes, palestras ministradas por profissionais mulheres da área do esporte, até mesmo pelas jogadoras e técnicas, contando a importância e a história do esporte feminino, bem como a lutas das mulheres pelo direito de praticá-lo. Ademais, deve-se permitir, nas aulas de educação física, um jogo de futebol, por exemplo, entre times contendo meninos e meninas. Feito isso, espera-se que os mais novos cresçam não complascentes com a discriminação arraigada na sociedade, e ajudem a mudar mentalidade do povo. Outrossim, a mídia, através de programas de televisão, deve fazer entrevistas com as jogadoras, além de, também, transmitir os jogos femininos, a fim de atrair mais público para eles, e, consequentemente, mais visibilidade e patrocínio.