A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 12/07/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6 o direito ao lazer como inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, percebe-se uma lacuna na garantia desse direito na questão do lazer. Nesse contexto, nota-se que a valorização do esporte feminino no Brasil é um problema devido não só ao legado histórico, mas também a falta de participação das mulheres.

Em primeira análise, convém ressaltar, que o legado histórico é um fator determinante para a persistência do problema. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, as dificuldades de reconhecer a importância do esporte feminino, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas à história brasileira no que diz respeito à essa área ser muito masculinizada, o que dificulta ainda mais sua resolução.

Ademais, a falta de participação das mulheres também configura-se como um entrave no que tange à questão das dificuldades existentes para a valorização do esporte feminino. Segundo dados do impulsiona, enquanto 41,4 dos homens praticam esporte, apenas 2,7 das mulheres estão envolvidas com a modalidade. Isso ocorre pela ineficiência das instituições governamentais, principalmente o Ministério do Esporte. Essa conjuntura, segundo os ideais do contratualista John Locke, caracteriza-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem dos direitos indispensáveis, como lazer, o que é infelizmente evidente no país. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse, urge o Ministério do Esporte em parceria com o Ministério da Economia , promover a igualdade de gênero, por meio de salários e oportunidades idênticas tanto para homens como para mulheres, com a finalidade de garantir que acabe o preconceito no esporte. Por fim, é importante que o povo brasileiro se encare como responsável pelo problema, pois, de acordo com Platão, o primeiro passo para mover o mundo é mover a si mesmo.