A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 01/10/2021
O filme “Ela é o cara”, retrata a história de uma jovem adolescente que decide se fingir de homem com o intuito de provar à sua comunidade que as meninas também podem obter as mesmas habilidades masculinas no futebol, a fim de garantir idênticas oportunidades. Fora do mundo das telas, essa busca pela valorização do esporte feminino no Brasil também ocorre, mas, devido ao machismo e à falta de uma educação pautada na igualdade de gênero, as mulheres são menosprezadas no meio esportivo, gerando uma problemática que precisa ser combatida para que a igualdade seja atingida.
Nessa perspectiva, é válido ressaltar que o machismo remanescente na sociedade contribui para as desigualdades na distribuição de salários e prestígios para as atletas. Segundo o filósofo Michel Foucault, o poder articula-se em uma linguagem que cria mecanismos de controle que aumentam a subordinação. Sob essa ótica, percebe-se que os discursos preconceituosos da sociedade patriarcal têm o intuito de legitimar essas desigualdades, fazendo com que a visibilidade e credibilidade feminina sejam desprezadas. Essa conjuntura foi evidenciada na revista VejaSp, revelando que, enquanto o jogador de futebol Neymar possui um salário anual de 396 milhões de reais, a jogadora Marta, mesmo possuindo mais gols e prêmios em sua carreira, recebe apenas 1,5 milhão por ano, enquanto a sociedade busca meios para legitimar essa discrepância, ao invés de lutar pela equidade.
Além disso, a lacuna educacional contribui para a banalização desse cenário. De acordo com o filósofo Aristóteles, o desenvolvimento de virtudes e de um pensamento crítico ocorre apenas por meio de uma educação efetiva. Sendo assim, pode-se concluir que a carência de um ensino pautado na igualdade de gênero faz com que os indivíduos não estejam preparados para lutar pela classe oprimida pela sociedade patriarcal, pois não foram encorajados em sala de aula e, portanto, continuam neutros frente ao machismo.
Portanto, é notória a desvalorização das mulheres no esporte brasileiro. Para mudar esse cenário, cabe ao Ministério do Esporte fornecer igualmente os subsídios necessários àquelas que buscam oportunidades no ramo esportivo. Isso seria efetivado através de maiores patrocínios financeiros, com o intuito de garantir as devidas justiças sociais em relação aos meios de melhorar a atuação nas competições, com técnicos profissionais, vestimenta e lugares adequados. Ademais, cabe ao Ministério da Educação reformular a educação de base pautada no desenvolvimento de atividades extracurriculares que abordem a igualdade de gênero. Essas propostas têm por finalidade o alargamento da consciência e mentalidade da população, a fim de garantir uma cidadania mais justa e igualitária.