A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 14/06/2021
No início do século XX, as mulheres conquistaram, pela primeira vez, a participação nos jogos olímpicos - competição com maior relevância no esporte internacional -, tal fato foi um importante marco para o papel feminino nos esportes e estimulou a equidade entre os sexos. Entretanto, mais de cem anos depois, a valorização do esporte feminino ainda não é homogênea na sociedade verde-amarela, o que caracteriza grave problema para o desenvolvimento da igualdade de gênero no Brasil. Nesse sentido, é evidente que esse quadro problemático de desprestígio advém, principalmente, da discriminação e da baixa visibilidade em relação ao esporte feminino.
A princípio, cabe ressaltar que as ações preconceituosas configuram obstáculo nocivo para a apreciação do esporte feminino. A esse respeito, segundo Marilena Chaui - proeminente filósofa brasileira -, o ser humano age conforme a cultura instaurada no ambiente em que vive. Sob a óptica da filósofa, é notório que a nação demonstra traços de sua construção patriarcal, em que mulheres eram julgadas inferiores aos homens, quando não há valorização da prática esportiva pelo sexo feminino. Contudo, não é razoável que um país que almeja se tornar desenvolvido preserve uma cultura baseada em preceitos patriarcais que marcam a discriminação de gênero e desestimulam a evolução social.
Acerca disso, é válido destacar que a visibilidade recebida pelas atletas é ínfima. Diante desse cenário, a carateca brasileira Valéria Kumizaki - destaque no esporte mundial -, é exemplo disso, uma vez que, apesar de possuir diversos títulos relevantes, se comparada à esportistas masculinos, é muito pouco valorizada e reconhecida no contexto nacional, isso ocorre por conta da baixa divulgação midiática. Nesse viés, esse quadro decorre dos hábitos sociais que, em regra, são machistas e hostis, o que faz os veículos de imprensa favorecem o esporte masculino em detrimento do feminino em busca de maior aceitação do público geral, o que prejudica a precária valorização das mulheres nos esportes.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para valorizar o esporte feminino e fazer jus a conquista obtida pelas mulheres ao participarem das olimpíadas. Com isso, é imperioso que o Ministério da Educação, por meio de aulas de educação física e palestras com mulheres esportistas, incentivem a prática e a valorização do esporte feminino desde as séries iniciais, com a finalidade de estabelecer hábitos de igualdade que prestigiem as atletas. Assim, de acordo com Marilena Chaui, as atitudes do corpo social serão moldadas de acordo com a nova cultura vigente. Além disso, é premente que os meios de comunicação, por intermédio de propagandas e publicações nas redes sociais, disseminem as conquistas femininas nos esportes, a exemplo de divulgar a atleta Valéria Kumizaki, com o objetivo de oferecer maior visibilidade e, consequentemente, valorização do esporte feminino.